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Você já deve ter passado por isso ou pelo menos percebido. Apesar de o jornalismo ser essencial nas nossas vidas, às vezes é necessária aquela pausa no acompanhamento diário dos fatos, diminuindo momentaneamente a audiência ou o acesso a veículos de jornalismo. A ideia é diminuir a ansiedade e ter algum descanso das notícias, que costumam expor fatos complexos e complicados. E isso é natural, tanto que notamos movimentos positivos para rádios de conteúdo musical e de entretenimento nesses momentos. Mas aí está uma pegadinha, e não tem relação com o consumo de rádios musicais. Não adianta nada fazer um “detox” de veículos de imprensa se você continua rolando o feed de suas redes sociais. O resultado tende a ser desastroso.
Apesar de os veículos de imprensa estarem nas redes sociais, eles vão se misturar com muito conteúdo sem checagem, sem apuração, com vieses duvidosos e até mal-intencionados. Claro que não dá para generalizar todas as personalidades que trabalham com isso, mas durante o seu “detox” dos veículos de imprensa você continuará sendo impactado por políticos, influenciadores, entre outros perfis, que irão mantê-lo engajado nos temas jornalísticos (ou que são disfarçados de jornalismo). Em resumo, sua busca por diminuir a ansiedade pode ser em vão, com resultados até mais danosos: você pode sair mais desinformado, preocupado e com a ansiedade ainda lá em cima.
Ou seja, nessas “férias” do jornalismo, você apenas acabou entrando numa bolha, com menor acesso ao contraditório, à apuração jornalística, checagens etc., por melhor que seja a sua seleção de perfis que você segue nas redes sociais. Isso, como você já deve ter notado, não é tão relevante, tanto que está cada vez mais difícil acompanhar a vida social dos amigos próximos, familiares etc. A lógica do feed mudou faz tempo, e as redes estão cada vez menos sociais, pelo menos entre as pessoas que desejamos de fato seguir.
É comum notar que as pessoas que conseguiram de fato as tais “férias das informações” e diminuíram a ansiedade foram aquelas que deletaram momentaneamente seus aplicativos de redes sociais, retornando depois ao consumo, junto com o acesso e a audiência a veículos de imprensa.
O meu ponto aqui, até como jornalista, é jogar no debate essa história de “detox” das notícias. Pois, se sua intenção é recarregar as energias sem consumir notícias da imprensa, mas mantendo o consumo de redes sociais, talvez o resultado final seja pior do que o anterior.
Daniel Starck – Jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com.

*Fonte: Tudo Rádio

