Congado de Miguel Burnier mantém viva tradição afro-brasileira há quase oito décadas

Foto: Leo Cardoso

Fé, identidade, devoção, ancestralidade e tradição são a marca da Banda de Congado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia de Miguel Burnier, que desde 1947 atua com o compromisso de promover e preservar a cultura afro-brasileira e o patrimônio cultural de Minas Gerais. 

Viabilizadas com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, em 2025 e 2026 a Banda realizou atividades como apresentações na região de Ouro Preto e também ensaios periódicos para o grupo não perder o ritmo. 

Com roupas coloridas, cantos, rituais, danças simbólicas e instrumentos tradicionais, a banda celebra os reinados negros do Rosário e Santa Efigênia, participando das festas religiosas locais e de encontros em toda a região. Desde 2019, a Festa do Reinado “A Fé Que Canta e Dança” é reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Ouro Preto, assim como a própria banda.

À frente do grupo está o Capitão Antônio Xisto, referência para os congadeiros da região. Ao se estabelecer em Miguel Burnier no fim da década de 1950, ele iniciou sua trajetória como dançante e, com o tempo, assumiu o comando da guarda. No ano de 2008, foi reconhecido como Mestre da Cultura Popular pelo Ministério da Cultura. Em 2025, sua história ganhou ainda mais visibilidade com a inauguração da Praça dos Congadeiros Capitão Xisto.

Para ele, o Congado é mais que tradição: é missão de vida. “Fazer parte do Congado, realizar as festas, estar presente em cada celebração é uma alegria muito grande. É a minha fé, é a minha história. Enquanto Nossa Senhora me der força e saúde, eu vou continuar cantando e dançando”, afirma o Capitão Xisto, reafirmando o compromisso com a cultura, a devoção e a continuidade de um legado que atravessa gerações.

Em Miguel Burnier, a fé não se limita às palavras. Ela dança, canta, ecoa nos tambores e se renova a cada passo dos congadeiros e mantém viva uma tradição herdada das matrizes culturais afro-brasileiras, atravessando gerações como símbolo de resistência, devoção e identidade. 

Em meio aos desafios para manter a tradição, o grupo segue firme, sustentado pela força da comunidade e de seus membros, pelo respeito à ancestralidade e pelo compromisso com a memória coletiva.

A Banda de Congado Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário de Jesus e Maria de Miguel Burnier Ano II – 2025/2026 é um projeto realizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com patrocínio da Gerdau, gestão e produção da Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (Adop) e Através Gestão Cultural, e apoio da Prefeitura de Ouro Preto.

Fotos: Leo Cardoso

Reconhecimento  
Em 2024, o Conselho Estadual do Patrimônio de Minas Gerais reconheceu os Caminhos, Expressões e Celebrações do Rosário em Minas Gerais, inscrevendo-os nos livros de registro das Celebrações e das Formas de Expressão do patrimônio cultural imaterial mineiro.

Sustentadas por comunidades reinadeiras e congadeiras, essas manifestações se constituíram a partir de um processo de resistência e ressignificação empregados por povos negros fora de seus territórios de origem. Ao longo do tempo, os grupos desenvolveram saberes, ofícios e práticas próprias que se expressam em festejos públicos e comunitários organizados em louvor a santos de devoção vinculados ao catolicismo negro.

Conhecidas como festas dos Reinados e/ou Congados, as celebrações são organizadas por devotos que integram ternos, guardas e outras formações, compostas por capitãs e capitães, bandeireiros, tocadores, dançadores, Reis e Rainhas. Durante os cortejos por cidades, distritos, vilas e igrejas, entoam cantigas seculares dedicadas a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia, Nossa Senhora das Mercês, São Sebastião, São Elesbão, Nossa Senhora Aparecida, Santo Antônio, São Jorge e também à ancestralidade.

Segundo a Federação dos Congados do Estado, Minas reúne a maior concentração de congadeiros do país, mantendo viva uma tradição que teve suas primeiras celebrações registradas no século 18.

Sobre a Adop
A Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto é uma instituição privada, sem fins econômicos, apartidária, criada por meio da parceria entre empresas locais, poder público e sociedade civil, cuja missão consiste em “Gerir e executar as ações que garantirão a diversificação e desenvolvimento econômico no Município de Ouro Preto”.

Definida como OSC – Organização da Sociedade Civil, nos moldes da Lei 13.019/14, a ADOP mantém a Titularidade Pública Municipal e, desde janeiro de 2005, o Título Federal de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).

Soma-se às titularidades públicas da Adop, o reconhecimento por parte do Município de Ouro Preto, da Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (ADOP) e pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (CONDES-OP) como instância de governança do Programa de Apoio à Diversificação Econômica de Ouro Preto (Pade), reconhecido como política pública por meio da Lei Municipal nº 1.338 de 05 de abril de 2023.

Sobre a Gerdau 
Com 124 anos de história, a Gerdau é a maior empresa brasileira produtora de aço e uma das principais fornecedoras de aços longos nas Américas e de aços especiais no mundo. No Brasil, também produz aços planos, além de minério de ferro para consumo próprio. Com o propósito de empoderar pessoas que constroem o futuro, a companhia está presente em vários países e conta com mais de 30 mil colaboradores em todas as suas operações. Maior recicladora da América Latina, a Gerdau tem na sucata uma importante matéria-prima: cerca de 70% do aço que produz é feito a partir desse material. Todo ano, 10 milhões de toneladas de sucata são transformadas em diversos produtos de aço. A companhia também é a maior produtora de carvão vegetal do mundo, com mais de 230 mil hectares de base florestal no estado de Minas Gerais. Como resultado de sua matriz produtiva sustentável, a Gerdau possui, atualmente, uma das menores médias de emissão de gases de efeito estufa (CO₂e), de 0,85 t de CO₂e por tonelada de aço, o que representa aproximadamente a metade da média global do setor, de 1,92 t de CO₂e por tonelada de aço (worldsteel). Para 2031, a meta da Gerdau é diminuir as emissões de carbono para 0,82 t de CO₂e por tonelada de aço. As ações da Gerdau estão listadas nas bolsas de valores de São Paulo (B3) e Nova Iorque (NYSE). 

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