Imagem: Meios&Publicidade/Reprodução
A crise no Oriente Médio vai reduzir o investimento publicitário global em 93,7 mil milhões de dólares (€80,7 mil milhões) ao longo dos próximos 18 meses, antecipa o World Advertising Research Center (WARC) numa nova análise. Só este ano, a diminuição deverá atingir os 39,6 mil milhões de dólares (€34,1 mil milhões).
Mesmo num cenário de apaziguamento, como o que parece verificar-se agora, o relatório alerta para os custos energéticos, a disrupção das cadeias de distribuição e a contração no consumo já existentes.
“Os mercados globais estão agora em modo de contenção de danos”, justifica James McDonald, diretor de dados, inteligência e previsões do WARC, salientando que “o bloqueio do Estreito de Ormuz funcionou como um imposto para os consumidores, elevando os preços e reduzindo o poder de compra real”.
O investimento publicitário global deverá crescer 11,5% este ano, atingindo 1,39 biliões de dólares (€1,21 mil milhões), mas a volatilidade contínua poderá reduzir o aumento até 3,2 pontos percentuais até dezembro, revela a análise.
“Se o conflito se prolongar ou se intensificar ainda mais, estes riscos deslocam-se para a estagflação, com setores como as viagens, a indústria automóvel e a indústria alimentar extremamente expostos a custos de produção mais elevados e a uma procura mais fraca. O efeito líquido é uma compressão severa das margens”, salienta James McDonald.
Segundo o estudo, o impacto da redução do investimento não afeta todos os media da mesma forma. Enquanto a televisão deve sofrer genericamente uma quebra de 2,7%, que no caso da televisão linear pode chegar aos 7,3%, as receitas publicitárias das redes sociais e dos motores de busca permanecem praticamente inalteradas até dezembro.
No cenário mais pessimista, o investimento em mídias digitais cresce 17,9%, podendo aumentar 20%. De acordo com o relatório do WARC, as redes sociais podem perder 7,8 mil milhões de dólares (€6,7 mil milhões de euros). A imprensa registra uma quebra de 8,5%. O cinema pode retrair 4%.
“Os Estados Unidos da América, com um crescimento de 9,5%, estão bem protegidos, uma vez que beneficiam do campeonato mundial de futebol e das eleições intercalares. Mesmo num cenário severo, o mercado publicitário perderia apenas 10 mil milhões de dólares (€8,6 mil milhões)”, vaticina o WARC.
À parte da América Latina, que cresce 12,8% impulsionada pelo Brasil e pelo México, o Sudeste Asiático também vê o investimento publicitário aumentar 6,9%.
“Apesar de estarem a caminho de um crescimento saudável este ano, são, no entanto, as regiões mais expostas ao aumento da escalada de violência”, alerta a análise.
Em contraciclo, a publicidade na França pode cair 1%. Nos países do Golfo Pérsico, a retração não deverá, contudo, ir além dos 0,2%.
“Mesmo nas condições mais disruptivas que simulámos, os motores de busca, as redes sociais e o comércio eletrónico absorvem dois terços dos gastos globais com publicidade”, afirma James McDonald.
*Fonte: Luiz Batista Gonçalves via Meios&Publicidade

