Exploração de RDS e metadados acelera caminho para o rádio híbrido no Brasil

Receptor de rádio FM com as estações listadas automaticamente, com a informação do PS/tudoradio.com

Como o tudoradio.com costuma destacar com frequência, o RDS (Radio Data System) não é uma tecnologia nova, mas sua importância tem sido ressignificada ao longo dos últimos anos. Em um mundo de mais telas, inclusive para plataformas de áudio, esse tipo de sistema acaba sendo a vitrine das emissoras de rádio e coloca o meio em igualdade de competitividade com aplicações digitais, muito pela forma como está sendo explorado pelos novos receptores e também por preparar terreno para o funcionamento de tecnologias como o “rádio híbrido”. Sabendo disso, existe um movimento simultâneo ao tudoradio.com de conscientização para o melhor uso dessa tecnologia pelas emissoras brasileiras, iniciativas lideradas por associações do setor.

Hoje, sem padronização dos códigos de PI do RDS, receptores de rádio gravam o nome das emissoras de forma automática e acabam gerando uma série de confusões aos ouvintes: nomes errados de estações (por utilizarem o mesmo código), nomes de músicas e outras mensagens gravadas como sendo o da estação, entre outras questões. Especialistas indicam que não utilizar o RDS para evitar esse tipo de transtorno é pior, pois o ouvinte já aguarda esse tipo de experiência no consumo de áudio, pelo menos para saber de forma imediata qual rádio está ouvindo e, também importante, qual conteúdo está no ar naquele momento.

A organização desse processo do RDS é necessária no Brasil e já está em curso. Emissoras, por conta própria, já organizaram o sistema conforme as melhores práticas recomendadas internacionalmente e que são discutidas com frequência pelo tudoradio.com desde 2017, mas com ampliação da exposição do tema a partir de 2024. E isso tem impactado diretamente o mercado: quando uma emissora passa a cuidar desse tema com prioridade, a própria audiência já nota a melhoria, coloca a estação em igualdade e acaba provocando concorrentes a buscarem o mesmo.

Porém, esse movimento ainda é orgânico, a partir da conscientização feita por profissionais técnicos e por veículos especializados. Para acelerar isso, associações como a ACAERT decidiram levantar dados sobre como o sistema é utilizado pelas emissoras em Santa Catarina, para adotar as melhores práticas possíveis de maneira estruturada, acelerando esse processo. O movimento é necessário, já que a concorrência entre plataformas é crescente, e o rádio precisa desses recursos para mostrar que está avançando em tecnologia. E a organização desse uso do RDS abre campo para o funcionamento de tecnologias como o rádio híbrido, que mistura dados conectados com o sinal de FM e precisa do RDS configurado para identificar as emissoras sintonizadas.

O ouvinte percebe
Ouvintes mudam de telas, vão de plataformas de áudio online para o receptor de rádio conforme o hábito daquele momento. Quando, na tela do FM, aparece apenas a frequência, a experiência é incompleta. E isso afeta a percepção sobre a qualidade daquele conteúdo. Acaba sendo uma vitrine que pode determinar a escuta já nos primeiros segundos da experiência. Isso já foi acessório lá atrás, quando não existiam tocadores de áudio digital, as telas dos receptores eram pequenas, não havia aplicativos móveis e poucos rádios vinham com RDS (e, quando vinham, forçavam a rádio a aproveitar ao máximo o PS, aquele de oito caracteres).

Isso mudou. O PS (8 caracteres), apesar de ser utilizado para mais informações nos EUA, costuma ser indicado para incluir apenas o nome da rádio, facilitando para que o receptor — que hoje mostra as estações em lista — identifique e memorize o nome da estação. O RT (Radio Text, de 64 caracteres) entra no jogo para oferecer mais informações detalhadas daquilo que se ouve, já que, na maioria dos receptores, ele passa a ser a principal informação a ser utilizada após segundos de sintonia da emissora. Esse padrão tem sido adotado por emissoras que viraram referência no assunto aqui no Brasil e é comum na Europa.

Nomes errados, ausência de informações, entre outros detalhes, são percebidos pela audiência e pelo anunciante. A ausência de dados também, que torna a experiência com a emissora incompleta.

Tem peso publicitário
Um levantamento recente da Kantar IBOPE Media trouxe novos argumentos que reforçam a necessidade de as emissoras de rádio ampliarem o uso de RDS no dial FM e de metadados em seus streamings digitais. A análise mostra que 60% dos anúncios tiveram melhor desempenho quando acompanhados por elementos visuais, como imagens e textos, em paralelo ao áudio, um resultado que coloca o rádio em posição estratégica no uso dessas tecnologias. O uso dessas ferramentas, mesmo que inicialmente para explorar informações em formato de texto, mas agora em telas cada vez maiores, já é amplamente difundido nos mercados da América do Norte e da Europa, além de ganhar espaço no Brasil.

Segundo a Kantar, a maior parte dos usuários de áudio digital interage também com a tela de seus dispositivos. Mais de 50% dos ouvintes de streaming afirmam olhar frequentemente para o display enquanto escutam, e aproximadamente 85% ao menos conferem a tela durante a reprodução do áudio. Isso torna essencial que o setor de rádio crie espaço para que as emissoras utilizem de forma mais eficiente os recursos já disponíveis, tanto no FM quanto no digital.

“O que temos é o chamado duplo reforço: áudio e visual transmitindo a mesma mensagem, o que tende a potencializar a performance do anúncio e o entendimento da comunicação”, explicou Leonardo Pinheiro, diretor de digital e mídia da Kantar Brasil.

Essas constatações dialogam com movimentos recentes do setor de rádio, já destacados por especialistas durante congressos como o NAB Show, o WorldDAB Automotive e em levantamentos sobre o avanço do uso de metadados no Brasil. Se antes o RDS era visto como uma função secundária, hoje ele se consolida como vital na experiência do ouvinte em receptores modernos, que contam com telas cada vez maiores em carros, smartphones e caixas conectadas. No digital, o envio de informações como artista, capa de álbum e programação da emissora via streaming coloca o rádio em paridade de experiência com plataformas como Spotify e Deezer.

Ativação dos metadados
Recentemente o tudoradio.com destacou um alerta de David Layer, engenheiro da NAB, sobre o papel crucial dos metadados para o rádio em dispositivos modernos. Segundo ele, sem essa funcionalidade a experiência do ouvinte fica incompleta, especialmente em um cenário de concorrência com plataformas como Spotify e YouTube Music.

O uso mais comum é a exibição do nome da música, mas os metadados também podem incluir mensagens publicitárias, slogans, canais de interatividade e imagens, como QR Codes e artes de campanhas. No Brasil, essa prática ainda ocorre de forma gradual, sendo mais comum entre rádios de grandes capitais, que muitas vezes iniciam o envio em seus portais antes de integrar diretamente ao streaming.

Layer reforçou que os metadados são uma ferramenta estratégica para o futuro do rádio, conectando áudio e experiência visual. Ele recomenda que as emissoras realizem verificações constantes em painéis automotivos, smartphones e receptores digitais, garantindo qualidade e relevância na exibição dessas informações.

A recomendação é que o serviço seja ativado diretamente no encoder do streaming, recurso já disponível na maioria dos servidores. Essa medida impacta de forma positiva os aplicativos próprios das emissoras, diretórios de streaming e também o app Tudo Rádio, que exibe as informações em dispositivos conectados, ampliando a interação com o público.

*Fonte: Tudo Rádio

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