Ministério da Cultura e presidente Lula lançam plataforma pública de streaming com a promessa de ampliar acesso ao audiovisual

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O governo federal apresentou, neste sábado (30/05), a plataforma de streaming Tela Brasil, anunciada com a promessa de democratizar o acesso à produção audiovisual nacional. O lançamento, formalizado durante o evento Rio2C, no Rio de Janeiro, incluiu a assinatura de um acordo de cooperação técnica com a Empresa Brasil de Comunicação e o detalhamento dos planos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para incluir o segmento entre as prioridades da política industrial do país.

Desenvolvida por meio de parceria tecnológica com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a plataforma oferece acesso sem cobrança de assinatura mediante cadastro vinculado ao portal governamental.

A ferramenta entra no ar com a previsão de abrigar mais de 500 títulos em seu acervo, abrangendo curtas-metragens, médias-metragens, longas-metragens, documentários e produções infantojuvenis. O termo de cooperação assinado com a Empresa Brasil de Comunicação adicionará progressivamente cerca de 3 mil horas de conteúdo da emissora pública à plataforma, o que representa aproximadamente 150 obras, a exemplo de atrações como “Sem censura” e “Samba da gamboa”.

A presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Antonia Pellegrino, pontuou que o ingresso da autarquia na Tela Brasil aproxima o órgão das políticas do Ministério da Cultura e altera a história de exibição da empresa. Essa consolidação dos serviços estatais ocorre enquanto o governo avança com os testes da TV 3.0 no país. O novo padrão tecnológico de televisão aberta, conforme projetado, deve prever a incorporação das plataformas públicas de audiovisual diretamente em aplicativos nativos dos futuros televisores, facilitando a interface para o usuário final.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou do evento para acionar oficialmente o primeiro conteúdo da plataforma. Em sua fala, Lula justificou a intervenção governamental, afirmando que o volume de obras estrangeiras veiculadas cotidianamente restringe o alcance da identidade local.

“Nós precisamos primeiro saber da nossa história, conhecer a nossa língua, conhecer o nosso cinema, conhecer o nosso teatro, conhecer a nossa razão de ser”, declarou.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, apontou que a nova tecnologia tenta sanar gargalos históricos de distribuição, ressaltando o impacto do fomento público para projetar o país no mercado externo.

“Não existe desenvolvimento sem inclusão. Não existe inclusão sem identidade. E não existe cultura forte sem a economia”, avaliou a ministra.

A estruturação financeira da cadeia produtiva permeou o discurso do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Ele relatou que a indústria criativa equivale a 3,1% do Produto Interno Bruto brasileiro, com o setor audiovisual isoladamente respondendo por 0,6% do índice e por 680 mil empregos diretos. O objetivo do governo é elevar essa participação para 1%. Para isso, o segmento foi inserido nas metas do plano Nova Indústria Brasil. Articula-se, em conjunto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, a Financiadora de Estudos e Projetos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, o desenho de linhas de crédito direcionadas para impulsionar a inovação digital e a produtividade das empresas do setor.

Nesta mesma frente de financiamento, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, informou que o Fundo Setorial do Audiovisual destinará R$ 200 milhões para produções executadas no Rio de Janeiro ao longo dos próximos dois anos. Tavares anunciou também um investimento de R$ 120 milhões para o desenvolvimento de séries e documentários em parceria direta com a Empresa Brasil de Comunicação, cujos resultados possuirão janela de exibição garantida na Tela Brasil.

Além dos dados econômicos, o painel abordou pautas sobre representatividade e resgate da memória artística, em debate mediado pela apresentadora Cissa Guimarães. A primeira-dama, Janja, mencionou relatórios da Agência Nacional do Cinema para alertar que as mulheres compõem 42% da força de trabalho do audiovisual, mas estão restritas a 17% das posições de roteiro e direção. Ela usou o exemplo do filme “Que horas ela volta?” para ilustrar a relevância de histórias conduzidas sob a perspectiva feminina.

A secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, declarou que o fortalecimento de canais de exibição atende a produtores formados em projetos sociais e zonas periféricas. Entre os artistas que integraram a cerimônia, o ator Átila Bee celebrou a abertura de espaço para curtas-metragens na nova ferramenta, ressaltando que produções desse formato originadas na Baixada Fluminense foram essenciais para sua qualificação profissional. O ator Chico Diaz defendeu a veiculação de obras antigas para as novas gerações, sob o argumento de que “a gente só pode olhar pra frente sabendo de onde nós viemos”. O evento prestou homenagem presencial à produtora Lucy Barreto, que foi aplaudida de pé pelo público do evento.

A cerimônia foi acompanhada por autoridades políticas como o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), o governador Ricardo Coutinho (PT) e o deputado Eduardo Cavalieri (PSD/RJ).

*Fonte: Tela Viva