Pesquisa detalha consumo de áudio no carro por montadora e reforça liderança ampla do rádio

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Uma pesquisa dos Estados Unidos, mas que serve de termômetro para situações similares em outros mercados globais, se aprofundou no consumo de rádio e outras mídias nos carros, mas com recortes por marcas automotivas. Ou seja, entre aquelas dominantes no mercado norte-americano, em quais se ouve mais ou menos rádio.

As descobertas são importantes para o meio: o rádio é hegemônico em todas, com boa vantagem sobre o segundo formato de áudio de maior consumo, os podcasts. O percentual vai de 90% em veículos da GM e Stellantis para 74% na Tesla, mas com a maioria acima de 80% quando o assunto é tempo de consumo de cada formato de mídia suportado por anúncios (gratuito). Isso reforça a importância de como o rádio é apresentado nos multimídias dos veículos, principalmente naqueles que contam com conexão de dados e oferecem mais serviços aos motoristas e passageiros.

Os dados são da Edison Research, no estudo Share of Ear, que mapeia o consumo de áudio nos Estados Unidos e em outros mercados. Como antecipado, é em veículos das marcas GM (com destaque para a Chevrolet) e Stellantis (Jeep, Fiat, Peugeot, Citroën, RAM e Maserati) que o rádio lidera com folga, com 90% do consumo de mídia nesses ambientes. A Nissan, com 86%, vem logo na sequência a favor do rádio, com a Toyota registrando 84% de liderança para o meio, Honda e Subaru com 83%, Hyundai e Ford com 81% e a Tesla, que aparece por último, com 74% para o rádio.

“O rádio AM/FM é a única maneira de alcançar os motoristas da Chevrolet durante seus deslocamentos diários e enquanto fazem compras”, afirma Pierre Bouvard, diretor de Insights do Grupo Active Audio da Cumulus Media/Westwood One, que realizou análises específicas sobre o levantamento. “Estudos do governo americano mostram que a maioria dos deslocamentos diários é feita individualmente. Dentro do carro, os motoristas da Chevrolet não podem ser alcançados por mídias sociais, vídeos online ou qualquer plataforma digital”, completa o analista.

E isso pode ser extrapolado para as outras marcas, já que o rádio aparece como primeira opção de consumo em todas elas. Mesmo em patamar menor em relação às demais, os números de consumo do meio dentro de um Tesla são considerados elevados, mesmo com uma oferta maior de conteúdos de mídia em formatos conectados. Dados similares já estavam em debate quando a montadora resolveu sacar o rádio FM de seu multimídia em dois de seus novos modelos populares, mostrando que o desejo do motorista/consumidor é pela presença do rádio no setor automotivo.

O quadro mostrado pelo recorte da Share of Ear é reforçado pelo desejo geral do consumidor, que poderia repensar a escolha de um novo automóvel caso ele não tenha o rádio disponível em seu multimídia. E também conversa diretamente com uma tendência observada pela cobertura do tudoradio.com no NAB Show 2026: a importância do sistema automotivo para o setor e como sua evolução gera uma série de oportunidades para o rádio, com foco no “rádio visual”, onde se pode oferecer mais ao ouvinte do que apenas o áudio presente no sinal FM/streaming, com uso de tecnologias como RDS (FM analógico) e metadados (streaming de rádio e receptores híbridos).

“Para conquistar clientes de marcas concorrentes, o rádio AM/FM é ideal, com sua participação dominante de 64% no mercado de áudio com publicidade em todas as localidades”, define Bouvard em sua análise sobre o tema, quando considerada a divisão geral do consumo entre as plataformas de áudio, entre aquelas gratuitas e suportadas por anúncios (fator importante para a publicidade).

Pontos-chave do levantamento:

  • O rádio lidera em todas as marcas analisadas, sem exceção, quando o assunto é consumo de áudio com publicidade dentro do carro.
  • A participação do rádio varia de 74% a 90%, mostrando domínio amplo mesmo em veículos mais conectados e digitalizados.
  • GM e Stellantis aparecem no topo, com 90% de participação do rádio no ambiente automotivo.
  • Tesla registra o menor percentual de rádio (74%), mas ainda assim mantém o meio como principal formato de áudio consumido.
  • Podcasts são a segunda principal opção, porém com ampla distância para o rádio, variando de 2% a 17% conforme a marca.
  • Streaming de áudio com publicidade (Spotify e Pandora) tem participação reduzida, geralmente abaixo de 5%, reforçando a força histórica do rádio no carro.
  • O ambiente automotivo segue como território estratégico para o rádio, principalmente em modelos equipados com centrais multimídia conectadas.
  • A presença do rádio no painel influencia a experiência do consumidor, podendo impactar até a percepção de valor do veículo.
  • Tecnologias complementares, como RDS e metadados em streaming/híbridos, ampliam o potencial competitivo do rádio no carro.
  • Para o mercado publicitário, o carro continua sendo um espaço de atenção relevante e de alta concentração para campanhas em áudio.


Rádio AM/FM lidera o consumo de áudio no carro em todas as montadoras analisadas, com participação entre 74% e 90%, segundo a Edison Research