Rádio supera podcasts, mídia impressa e ferramentas de IA como fonte de notícias nos Estados Unidos, aponta pesquisa

Imagem: Ilustração/Tudo Rádio

O rádio segue entre os principais meios de informação dos norte-americanos e mantém alcance mensal superior ao de podcasts, jornais impressos e plataformas de inteligência artificial. É o que aponta a pesquisa anual Trust in Media 2026, realizada pela YouGov, que mostra que 28% dos adultos dos Estados Unidos utilizaram o rádio AM/FM para acompanhar notícias no último mês. O levantamento também indica que o meio preserva elevados índices de confiança, em contraste com redes sociais e outras fontes digitais.

Segundo o estudo, realizado entre os dias 25 e 26 de maio com 2.102 cidadãos adultos dos Estados Unidos, 28% dos entrevistados afirmaram ter utilizado o rádio AM/FM para acompanhar notícias no último mês. O resultado mantém o meio à frente de diversas plataformas de informação, apesar de representar uma oscilação de um ponto percentual em relação ao levantamento de 2025, variação considerada estatisticamente pouco significativa devido à margem de erro de 2,9 pontos percentuais.

O rádio aparece à frente de formatos como podcasts (21%), newsletters por e-mail (20%), agregadores de notícias online (18%), plataformas de vídeo (15%), jornais impressos (14%), revistas (10%), blogs (9%) e ferramentas de inteligência artificial, como chatbots (6%). A pesquisa também detalha o perfil do público que utiliza o rádio como fonte de informação. O consumo é mais elevado entre pessoas com ensino superior, grupo em que 36% afirmaram recorrer ao meio para acompanhar notícias, enquanto entre aqueles sem diploma universitário, o índice foi de 24%.

A renda também influencia esse comportamento. Entre entrevistados com rendimento anual igual ou superior a US$ 100 mil, 39% utilizam o rádio para consumir notícias, percentual que cai para 22% entre aqueles com renda inferior a US$ 50 mil por ano. No recorte por idade, o maior alcance foi registrado entre pessoas com 65 anos ou mais, com 34%. Já entre os jovens de 18 a 29 anos, o índice ficou em 17%, o menor entre todas as faixas etárias analisadas.

O levantamento também identificou diferenças conforme o perfil político dos entrevistados. Pessoas de ideologias políticas distintas apresentaram percentuais semelhantes de consumo de notícias pelo rádio, entre 30% e 31%, enquanto os independentes registraram 25%. Considerando o voto na eleição presidencial de 2024 nos Estados Unidos, 36% dos eleitores de Donald Trump afirmaram utilizar o rádio como fonte de notícias, contra 32% entre os eleitores de Kamala Harris. Entre os gêneros, os homens apresentaram maior utilização do meio (32%) em comparação às mulheres (25%).

Confiança segue como diferencial do rádio
Além do alcance, a pesquisa reforça a percepção positiva do rádio em um cenário de crescente desconfiança em relação às plataformas digitais, em linha com o que também é observado no Brasil. Embora as redes sociais permaneçam como uma das principais formas de acesso às notícias, alcançando 60% dos entrevistados, elas apresentaram índices líquidos de confiança negativos. O Facebook registrou -24%, o TikTok -32% e o X (antigo Twitter) -21%.

No levantamento, o jornalismo como atividade obteve saldo positivo de confiança de 23%, enquanto a categoria “mídia de notícias” apresentou resultado neutro. A emissora pública National Public Radio (NPR) também apareceu entre as marcas com avaliação positiva, registrando índice de confiança de +15%.

Inteligência artificial amplia presença, mas ainda tem participação limitada
O estudo mostra ainda que o uso de ferramentas de inteligência artificial para consumo de notícias segue em crescimento, embora ainda represente uma parcela reduzida do público. Os chatbots de IA alcançaram 6% dos entrevistados. Entre as plataformas citadas espontaneamente, ChatGPT foi mencionado por 10% dos participantes e o Gemini, do Google, por 7%, como ferramentas utilizadas para acompanhar notícias no último mês.

A pesquisa também revela que 46% dos entrevistados afirmam encontrar diariamente conteúdos que acreditam ter sido produzidos por inteligência artificial na internet. Apesar da diversificação das plataformas, o interesse por informação permanece elevado: 69% dos norte-americanos afirmaram consumir notícias nacionais com frequência, percentual idêntico ao registrado para o consumo de notícias locais.

*Fonte: Tudo Rádio