Foto: Gerada por IA/Gemini
E se eu lhe dissesse que a nostalgia pode ser a sua chave para alcançar aquele público tão desejado com menos de 40 anos?
Parece contraditório, mas não é. Algumas das mentes mais brilhantes da nossa área, como Matt Bailey, Fred Jacobs e Mike McVay, apontaram recentemente a mesma coisa: o passado não está apenas chamando… Está em alta.
Desde o início da onda de músicas natalinas no rádio, passando pelo revival dos anos 80 impulsionado por Stranger Things, até a Coca-Cola usando seu legado para promover o futuro, a mensagem é clara: a Geração Z e os Millennials estão impulsionando isso, não os Baby Boomers. E isso subverte muitas suposições antigas sobre o rádio.
A nostalgia, aliás, vem do grego e significa “dor da saudade de casa”. Acredite ou não, começou como um diagnóstico médico para soldados com saudade de casa e evoluiu para a saudade agridoce de uma época mais simples, que é exatamente o que os ouvintes mais jovens sentem hoje.
Por que eles? Observe o mundo em que cresceram: tensão política e cultural constante, ansiedade digital, sobrecarga de informações, incerteza econômica e muitos relacionamentos conduzidos por meio de telas. O caos é o normal para eles. E quando a vida parece caótica, as pessoas buscam aquilo que lhes parece seguro, estável e familiar. É por isso que os ouvintes mais jovens estão adotando programas retrô, discos de vinil, celulares de flip e até mesmo luzes de Natal antecipadas. (Diga-me que seu bairro não acendeu as luzes no dia 1º de novembro do ano passado.) Não se trata apenas do público com menos de 40 anos – é todo mundo. Mas a Geração Z e os Millennials estão liderando essa tendência.
E é aqui que os diretores de programação podem facilmente perder a oportunidade: a resposta não é “tocar mais clássicos”. Isso é nostalgia preguiçosa.
O que os ouvintes mais jovens querem não é música antiga, é uma sensação antiga. A vibe. A atmosfera. A humanidade do rádio, como era antigamente. Me interrompa se você já ouviu essa última frase antes.
Algumas sugestões para começar:
1) Resgatar a produção humana “imperfeita”.
Locutores mais calorosos e humanos. Sons que pareçam ter sido criados por uma pessoa, não por um plugin. Mais emoção e menos fatos.
2) Reconstruir a interação em tempo real.
Sim — tragam os telefones de volta. Voltem a aparecer em lugares reais. Escolas de ensino médio. Comércios locais. Jogos de futebol. Lembrem as pessoas de que o rádio ainda é muito presente em suas cidades.
3) Treine talentos para serem anfitriões , não “sistemas de distribuição de conteúdo”.
Personalidade é nostalgia. Conexão é nostalgia. Ser um companheiro é nostalgia.
4) Transmita essa vibe para suas plataformas digitais.
Nada de fontes retrô, mas sim uma presença consistente, acolhedora e humanizada, tanto nas redes sociais quanto no site. Mais interação com o público e menos fotos de uma mesa e uma barraca em uma concessionária. O digital não precisa ser frio. Ele ainda pode ser a sua cara.
(E sim, diretores de programação — ouçam algumas gravações antigas de rádio para se inspirarem. Há um motivo para elas ainda serem boas. Vocês podem encontrar várias delas no YouTube.)
O rádio à moda antiga era íntimo. Era como se um amigo estivesse te fazendo companhia.
É isso que o público com menos de 40 anos está nos dizendo que quer (talvez até precise) agora.
E a jogada vencedora não é retroceder…
É para voltar a ser rádio.
João Shomby – CEO da Country’s Radio Coach via Radio INK



