ARTIGO: O rádio diante do espelho: relevância, atenção e coragem para mudar

Sou uma defensora do rádio. Tanto que acabei de fazer um rebranding da minha empresa, que agora se chama Rádiodata — isso mesmo! Nada americanizado. Aqui é rádio com acento. Mas vamos deixar de lado a minha tentativa de fazer propaganda gratuita e vamos falar de rádio.

Eu li um texto do Dave Van Dyke, CEO da Bridge Ratings Media Research, e ele revelou uma verdade inconveniente:

“A mídia digital não matou o rádio — ela expôs aquilo que o rádio nunca precisou aprender quando era dominante. Quando o rádio era massa, não precisava entender profundamente o comportamento individual. Não precisava personalizar. Não precisava perguntar por que aquele ouvinte apareceu hoje. A escala encobria muitos pontos cegos. O alcance perdoava ineficiências.”

Dave destaca, no entanto, que “o futuro do rádio não depende de ficar mais digital”. Depende de ficar mais letrado em como a mídia moderna conquista atenção.

A briga agora é pela atenção.

Os últimos dados do Cenp-Meios são positivos para o setor. Apesar de manter 4% de share, o rádio registrou crescimento de 9,12% no investimento publicitário, e o áudio digital subiu quase 22%.

2026 é um ano de eleições e de Copa do Mundo. Está todo mundo atrás do anunciante para garantir um segundo semestre sustentável, mas qual é a narrativa que você apresenta para o seu cliente?

Uma emissora de rádio não precisa de audiência de milhões. Ela precisa ser relevante para a sua bolha.

Mas aí vem a grande questão que o próprio Dave traz no artigo:

  • Por que um ouvinte escolhe esta emissora em vez do silêncio?
  • Que “trabalho emocional” o rádio realiza em um mundo distraído?
  • O que faz um comunicador parecer insubstituível — não apenas familiar?

Para ser insubstituível, o rádio precisa de duas coisas: criatividade e credibilidade. E aí eu volto ao mesmo assunto de sempre: conteúdo é rei.

O digital já virou uma premissa básica para o novo rádio, mas autenticidade e relevância continuam sendo a base. Senão, é a mesma coisa que ter uma Ferrari sem rodas.

A briga não é mais dial vs digital. É quem tem o ouvido do consumidor.

A mídia digital não matou o rádio.
Ela colocou um espelho na frente.
E, daqui para frente, o que muda não é o reflexo — é a coragem de olhar.

Juliana Paiva – especialista em planejamento estratégico e gestão de projetos de mídia. É sócia-diretora da Rádiodata, marketplace de conteúdo em áudio.

*Fonte: tudoradio.com

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