Cristine Rodrigues (Foto: Globo / Divulgação)
A partir da próxima segunda-feira, dia 23 de fevereiro, o público poderá mergulhar na história de Anita Harley, principal acionista das Casas Pernambucanas – uma das redes de varejo mais tradicionais do país, fundada há mais de 100 anos. A série documental “O Testamento: O Segredo de Anita Harley”, novo Original Globoplay, traz os bastidores das disputas em torno de sua curatela e herança, em um dos casos mais complexos e intrigantes do judiciário brasileiro. Os cinco episódios chegam juntos ao catálogo, com o primeiro disponível e aberto para todo o público, incluindo não assinantes do streaming.
A obra expõe um império bilionário em jogo e um embate que já dura quase uma década, em que laços de afeto, poder e fortuna se entrelaçam. A origem dessa disputa teve início em 2016, quando Anita Harley sofreu um acidente vascular cerebral que a deixou em coma, desencadeando uma batalha judicial em torno de sua curatela – encargo legal atribuído a uma pessoa para representar alguém civilmente quando este não possui capacidade para fazê-lo, como a administração de seus bens – e fortuna, avaliada em mais de R$ 1 bilhão.
Para Camila Appel, um dos seus maiores desafios foi conseguir traduzir uma disputa judicial em um produto audiovisual.
“Para a construção do documentário, busquei humanizar as relações envolvidas, compreender o que movia cada um dos personagens e me dediquei à investigação sem a busca por uma verdade absoluta, que talvez fosse impossível de ser concebida ali”, conta a diretora.
Nesse contexto e com base em depoimentos de personagens-chave dessa trama, o documentário apresenta os principais envolvidos: de um lado, Cristine Rodrigues, secretária de confiança de Anita e designada como responsável por seus cuidados em testamento vital – documento em que uma pessoa pode expressar desejos caso esteja incapacitada, como em um coma; de outro, Sônia Soares (conhecida como Suzuki), funcionária que residia na mansão da herdeira e que se apresenta como companheira de Anita. O cenário se intensifica com o pleito de seu filho, Arthur, que recebe o reconhecimento de maternidade socioafetiva com a empresária. O projeto reúne ainda relatos de advogados, amigos e familiares, cada um defendendo uma versão sobre o caso.
Para organizar essa teia de informações para o público, a narrativa da série foi concebida como uma combinação entre os perfis dos protagonistas e uma cronologia em movimento. Ricardo Calil, roteirista, explica a abordagem dos episódios:
“No primeiro, conhecemos a história de Anita e de sua secretária Cristine. No segundo, a de Suzuki, apontada como dama de companhia da empresária. No terceiro, Arthur, filho de Suzuki. No quarto, Daniel Silvestri, advogado de Suzuki que chegou à presidência das Pernambucanas. No quinto, mostramos como está a situação no presente e quem são os principais candidatos a herdeiro de Anita”.
De acordo com Calil, essa estrutura permite que, a cada capítulo, novas informações se somem ao enredo, ampliando a complexidade do caso.
“É como se, a cada episódio, o espectador tivesse uma nova perspectiva da história, com camadas de novos elementos”.
A instabilidade do caso também exigiu uma escrita flexível, capaz de se adaptar aos desdobramentos da Justiça.
“Como toda série que aborda o presente, o roteiro foi ajustado até o último minuto possível para dar conta de uma história que está em pleno movimento”, observa.
A série documental “O Testamento: O Segredo de Anita Harley”, Original Globoplay, é uma produção do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo. A obra tem direção de Camila Appel, codireção de Dudu Levy, roteiro de Ricardo Calil, Camila Appel e Iuri Barcelos – que também assina a pesquisa. A produção é de Anelise Franco, a produção executiva de Fernanda Neves e a direção artística é de Monica Almeida.
*Fonte: Tela Viva

