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O jornalismo comprometido e responsável pelo que produz tem papel fundamental na democracia, sobretudo durante as eleições. É essa atividade que garante integridade e transparência ao relatar os fatos, oferecer informação verificada, fiscalizar campanhas e assegurar pluralidade ao necessário debate público. Isso é ainda mais importante em uma época na qual a desinformação e a manipulação são espalhadas com tanta facilidade no ambiente digital.
A radiodifusão, em particular, se destaca nesse cenário como instrumento decisivo. Por sua capilaridade, com presença em todas as regiões do país, inclusive em áreas remotas, representa muitas vezes a principal fonte de informação.
Estamos a alguns meses para o início da campanha eleitoral, mas os desafios para a cobertura jornalística já são evidentes. Só no primeiro trimestre de 2026, surgiram registros de tentativas de cerceamento da liberdade de imprensa de diferentes formas, de decisão judicial com busca e apreensão de equipamentos até intimidação violenta de profissionais, com a tentativa de desqualificar o jornalismo.
O assédio contra profissionais da imprensa não é uma novidade, mas se intensificou com a polarização política e a mudança do ecossistema informacional. Além disso, a falta de entendimento sobre o papel dos veículos de comunicação e do próprio jornalismo amplia a pressão sobre repórteres, fotógrafos, editores e redações. Na prática, esse fenômeno tem um efeito desastroso às liberdades, afetando a circulação de informação de interesse público.
Em meio a eleições, o jornalismo é uma das principais instituições sociais que não apenas sustenta e fomenta as práticas democráticas, como também aprimora esse processo. Na saudável dinâmica eleitoral, a atividade jornalística da radiodifusão é ainda responsável pelos momentos em que os candidatos são apresentados ao público sem a propaganda eleitoral e chamados a expor com clareza e, muitas vezes, em situação de espontaneidade suas ideias e projetos – o que, na realidade, é o que mais importa em um pleito.
É importante notar ainda que, apesar de mais canais e plataformas, a televisão aberta mantém ampla presença entre o público brasileiro. Está em mais de 94% dos lares e segue como a mídia mais consumida no país. Pesquisa Datafolha realizada em março indica que 58% dos brasileiros se informam sobre política e eleições por meio de programas jornalísticos na televisão.
O rádio também mantém alcance elevado no Brasil. Dados do estudo Inside Áudio 2025, da Kantar IBOPE Media, mostram consumo por 79% da população, com média de 3h47 de escuta diária. A programação acompanha deslocamentos, trabalho e rotina doméstica, com atualização constante de notícias.
Eleições livres e imprensa forte formam pilares da democracia, que exigem ética e compromisso permanente com a verdade dos fatos e com a informação de qualidade. O jornalismo, em particular o de radiodifusão, sustenta esse arranjo ao proporcionar informação confiável para o exercício do voto consciente.
Onde jornalistas e veículos atuam com liberdade e sustentabilidade, os processos democráticos avançam com instituições mais sólidas, poder fiscalizador e maior capacidade de enfrentamento à desinformação. O olhar, o conhecimento, a ação e a moderação que a imprensa oferece seguem insubstituíveis e ainda mais decisivos nas eleições.
*Patricia Blanco– presidente do Instituto Palavra Aberta. Formada em Relações Públicas pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, com Pós-graduação em Marketing pela ESPM, é também presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, membro do Conselho de Ética do CONAR e da Comissão Permanente de Comunicação e Liberdade de Expressão do Conselho Nacional de Direitos Humanos.

*Fonte: Abert

