Anatel usa rastreamento de sinais para apoiar resgates em Minas Gerais

Imagem/divulgação: Tele.sintese

Analisadores de espectro e antenas direcionais foram ajustados para identificar emissões de celulares sob escombros e orientar resgates

A Anatel deslocou equipes de fiscalização e equipamentos de alta precisão para apoiar o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil nas buscas por desaparecidos na tragédia provocada pelas chuvas em Minas Gerais.

Ela repete uma estratégia aplicada em desastres anteriores, como o de São Sebastião (SP), com o emprego de instrumentos normalmente usados para identificar interferências em redes de telecomunicações, mas ajustados para uso em operação de busca em área atingida por soterramentos.

Desde segunda-feira, dia 23, fortes chuvas estão causando deslizamentos e enchentes na Zona da Mata Mineira, deixando 64 mortos, dos quais 58 em Juiz de Fora e seis em Ubá, informou o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) na manhã desta sexta-feira (27). Além disso, são mais de 250 pessoas desabrigadas e 5.510 desalojadas.

Equipamentos detectam sinais de celulares
O suporte técnico se baseia no uso de analisadores de espectro e antenas direcionais de alta sensibilidade. Os equipamentos são utilizados pela Anatel em atividades de fiscalização e reconfigurados para detectar sinais de radiofrequência emitidos por aparelhos celulares.

Mesmo em locais com soterramento ou sob escombros, a agência afirma ser possível rastrear “pulsações” ou tentativas de conexão dos dispositivos móveis com as Estações Rádio Base (ERBs) da região. Ao captar essas emissões, os fiscais conseguem triangular a posição aproximada do aparelho e orientar, com maior precisão, as frentes de escavação e resgate.

Pontos indicados em campo e frentes de trabalho
Em um dos pontos indicados pelo rastreamento técnico, houve a confirmação de quatro corpos. Em outra área da zona do desastre, foram identificados três sinais distintos, e as equipes de resgate concentraram esforços nessas coordenadas, “onde a probabilidade de encontrar vítimas é elevada”, conforme o comunicado. A agência também afirma que mobilizou um grupo de fiscais de diferentes unidades descentralizadas para atuar na zona do desastre.

Experiência anterior
A metodologia foi utilizada em 2023 durante os deslizamentos no litoral norte de São Paulo, quando a tecnologia da agência teria auxiliado equipes de busca a encontrarem sinais de aparelhos sob metros de terra e detritos.

No comunicado, a superintendente de Fiscalização, Gesiléa Teles, declarou: “A participação da Anatel nessas missões reforça que o papel da Agência transcende a regulação técnica do mercado, assumindo uma função humanitária e de proteção à vida em momentos de calamidade pública”.

Fonte: Tele.sintese

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