Copa do Mundo 2026: o que rádio e TV podem (e não podem) usar na cobertura do Mundial

Imagem: Aerp/Reprodução

A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 já começou, e junto com o interesse do público cresce também uma dúvida entre emissoras de rádio e televisão: até onde é possível explorar comercialmente o evento sem infringir as regras da FIFA?

A entidade publicou ainda em 2024 um guia oficial de propriedade intelectual voltado justamente para orientar empresas, veículos de comunicação, patrocinadores e agências sobre os limites do uso comercial relacionado ao torneio. O documento reforça que a FIFA possui direitos exclusivos sobre marcas, símbolos, identidade visual e diversos ativos ligados à competição.

Mas, isso não significa que as emissoras estejam proibidas de falar sobre a Copa. A diferença principal está no tipo de uso: jornalístico ou comercial.

Cobertura jornalística é permitida
Segundo as diretrizes da própria FIFA, veículos de imprensa podem realizar cobertura editorial do torneio, divulgar notícias, comentar partidas, publicar tabelas e tratar do assunto em programas jornalísticos e esportivos.

Na prática, isso significa que rádios e TVs podem:

  • noticiar jogos e resultados;
  • comentar seleções e atletas;
  • divulgar cronogramas de partidas;
  • realizar análises esportivas;
  • produzir conteúdo informativo sobre o evento.

O cuidado começa quando o conteúdo deixa o campo jornalístico e entra no território promocional ou publicitário.

O que não pode ser usado comercialmente
As restrições mais rígidas recaem sobre campanhas comerciais, ações promocionais e publicidade associada ao torneio.

A FIFA protege oficialmente:

  • nomes do torneio;
  • marcas registradas;
  • troféu;
  • mascotes;
  • slogans;
  • identidade visual;
  • elementos gráficos oficiais.

Entre as expressões protegidas estão termos como:

  • Copa do Mundo da FIFA 26™
  • Copa do Mundo da FIFA™
  • World Cup 26™
  • World Cup™
  • FIFA
  • COPA MUNDIAL™
  • MUNDIAL™

Isso significa que emissoras e anunciantes devem evitar utilizar esses ativos em campanhas publicitárias que possam sugerir associação oficial com a FIFA sem autorização.

Marketing de emboscada entra no radar
Outro ponto destacado pela entidade é o combate ao chamado “marketing de emboscada”, quando as marcas tentam se aproveitar da visibilidade do evento sem serem patrocinadoras oficiais.

A prática pode ocorrer de forma direta, usando marcas e símbolos protegidos, ou indireta, quando a comunicação induz o público a acreditar que existe algum tipo de vínculo oficial com a competição.

Por isso, campanhas promocionais durante o período da Copa exigem atenção redobrada.

O que as emissoras devem evitar
Especialistas em propriedade intelectual recomendam cautela principalmente em:

  • vinhetas comerciais temáticas;
  • promoções envolvendo marcas não patrocinadoras;
  • uso de logos ou símbolos oficiais;
  • sorteios ligados a ingressos;
  • peças publicitárias que sugiram parceria com a FIFA;
  • identidade visual inspirada diretamente no torneio.

Também é importante separar claramente conteúdo editorial de ações comerciais patrocinadas.

Futebol pode. Associação oficial, não!
As diretrizes da FIFA não impedem que emissoras falem sobre futebol, torcida, emoção ou comportamento do público durante o Mundial.

Campanhas criativas inspiradas no clima esportivo continuam sendo possíveis desde que não utilizem elementos protegidos nem criem confusão sobre patrocínio oficial.

Esse equilíbrio é justamente o desafio para rádios, TVs e agências durante grandes eventos esportivos.

Redes sociais também exigem cuidado
As restrições não se limitam à programação tradicional. O documento da FIFA também orienta cuidados em plataformas digitais e redes sociais corporativas.

Conteúdos oficiais da entidade, imagens protegidas e materiais audiovisuais do torneio possuem regras específicas de utilização, especialmente para empresas e marcas.

Para emissoras, isso significa atenção redobrada em:

  • cortes de vídeos;
  • artes promocionais;
  • posts patrocinados;
  • cobertura comercial nas redes.

Criatividade continua sendo o melhor caminho
A experiência das últimas Copas mostra que as campanhas mais bem-sucedidas não são necessariamente as que tentam “colar” no evento, mas sim as que conseguem capturar o espírito do futebol de forma original.

Torcida, rivalidade, emoção, memes e comportamento do público seguem sendo territórios livres para criação, desde que respeitados os limites de propriedade intelectual definidos pela FIFA.

Confira as diretrizes completas da entidade no documento oficial:

*Fonte: Aerp