Pesquisa promovida pela Radiocentre, do Reino Unido, trouxe um dado que comprova algo que todos nós, que ouvimos e vivemos essa mídia, já sabíamos: o rádio faz bem para a alma. De acordo com o estudo, 35% dos ouvintes afirmam que o meio melhora o estado de espírito. Além disso, 26% declaram que o rádio faz companhia, 13% dizem escutar para se manter informados e 11% afirmam que o rádio torna os momentos mais intensos.
Essas são evidências do papel social das emissoras. Os dados sobre estado de espírito e intensidade podem ser relacionados, por exemplo, ao efeito positivo da música, que é o principal conteúdo na maioria das programações de rádio. Diversos estudos, inclusive no campo da psicologia, documentam a relação direta entre melodias e regulação emocional. Somado a isso, há a voz humana. Ao ligar o aparelho ou acessar um aplicativo, o ouvinte encontra locutores que interagem de forma natural. Essa curadoria humana alivia a mente em um cenário marcado pelo excesso de estímulos e pela fragmentação da atenção.
O segundo resultado de destaque, os 26% que reconhecem o rádio como companhia, sublinha a importância do meio nas rotinas de trabalho e em longos deslocamentos. Nesse sentido, vale ressaltar a comodidade que as emissoras oferecem ao não exigirem escolhas constantes, como fazem as plataformas on demand, que são especialistas em gerar fadiga de decisão. O rádio não exige qualquer esforço do público para ser consumido.
Em relação à informação, vale destacar o caráter de utilidade pública do meio, além da confiança que a sociedade deposita no rádio. Esta é a mídia em que os brasileiros mais confiam, de acordo com a pesquisa Ponto MAP/V-tracker. Essa credibilidade se repete em outros países, com diferentes contextos socioeconômicos, como já abordei em artigos anteriores.
Esses números trazem implicações objetivas para agências e anunciantes. Um ambiente de mídia com impacto positivo sobre o estado emocional do consumidor favorece a recepção das mensagens comerciais. Ao mesmo tempo, a companhia constante amplia a frequência de exposição e constrói lembrança de marca. Por fim, níveis elevados de atenção, combinados com conexão emocional e confiança, contribuem para a fidelização no longo prazo.
Esse ciclo virtuoso só cresce com a evolução tecnológica: migração para o FM, rádio híbrido, RDS, uso de smart speakers etc. Conteúdo, distribuição e relacionamento com a audiência caminham juntos, permitindo que o rádio siga relevante e gere resultados justamente por atender, a qualquer hora e em qualquer lugar, às demandas da sociedade. Desde as mais objetivas, como se informar e tomar decisões cotidianas, até as mais emocionais, como buscar qualidade de vida e fugir da solidão.
Fernando Morgado — Consultor e palestrante com experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios.

*Fonte: Tudo Rádio

