Reino Unido inicia revisão sobre futuro do rádio e avalia possível transição do FM para plataformas digitais

Torre localizada no Crystal Palace. Estrutura abriga boa parte das transmissões de rádio em Londres, Inglaterra. Foto: Depositphotos.com

O governo do Reino Unido iniciou um processo de revisão sobre o futuro da indústria de rádio no país. A iniciativa inclui a avaliação de uma possível transição gradual do FM para plataformas digitais nas próximas décadas, diante das mudanças no comportamento de consumo do público. Vale lembrar que, mesmo com o avanço do DAB+ (rádio digital via ondas terrestres), a data de desligamento do FM vem sendo remarcada desde 2015. O digital já é predominante no Reino Unido, com 86% da população ouvindo rádio semanalmente por lá, segundo a Rajar. Mesmo assim, há cautela em relação ao desligamento analógico, já que 25% da audiência ainda ocorre por esse formato.

É o fim do rádio?
Quando se pauta o desligamento do AM ou do FM, é comum haver confusão sobre o “fim do rádio por antenas” na Europa ou mesmo sobre “o fim do rádio”. Na prática, isso não procede, pois o processo de digitalização do meio também envolve transmissões via ondas terrestres, caracterizadas pelo DAB+. No Reino Unido, esse formato responde por 42% da divisão total da audiência, sendo responsável pela maior parcela do consumo. E esse valor segue em crescimento, assim como o streaming de rádio, que, nesse caso, não depende de uma estação transmitindo via ondas terrestres, utilizando a infraestrutura de dados conectados.

Esse processo também ocorre de forma diferente em cada país, inclusive na Europa. Alemanha, França, Itália, entre outros, avançaram mais rapidamente nessa transição nos últimos anos, mas ainda estão atrás do Reino Unido. Já Suíça e Noruega são exemplos de digitalização praticamente completa do meio, já que conseguiram abrir mão do uso do analógico após uma transição significativa da audiência para os novos formatos.

No Brasil, Estados Unidos e em outras localidades, o FM segue como a espinha dorsal da estrutura e do consumo de rádio, com um cenário que não aponta para um possível desligamento do analógico em algum momento próximo. A radiodifusão brasileira, inclusive, começa a adotar como principal bandeira o chamado “rádio híbrido”, que é basicamente o uso do FM combinado com o streaming. Já o AM brasileiro segue ativo, mas vem sendo substituído rapidamente pela operação em FM, por meio do processo de migração AM-FM.

Voltando ao Reino Unido…
Segundo o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido, o objetivo da análise é garantir que o rádio continue relevante e sustentável em um cenário no qual os ouvintes têm migrado cada vez mais para meios digitais. Atualmente, cerca de três quartos do consumo de rádio no país já ocorre por plataformas digitais ou online, o que reforça a necessidade de discutir o futuro da transmissão tradicional.

Mesmo com essas transformações, o rádio segue como um dos meios mais confiáveis para o público britânico, além de contar com mais de 50 milhões de ouvintes semanais na região. As emissoras também desempenham papel relevante na difusão de notícias nacionais e internacionais, além de atualizações locais que refletem a diversidade das comunidades britânicas.

A revisão contará com a participação de representantes da indústria e deverá analisar diversos aspectos do setor, incluindo tendências de mercado, mudanças tecnológicas e novos formatos de distribuição de conteúdo. Entre os pontos que estarão em discussão está o impacto das plataformas digitais no consumo de áudio e o papel de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, na produção e distribuição de conteúdo radiofônico.

Outro tema que será avaliado é a possibilidade de uma transição planejada para o fim do FM durante a década de 2030, caso o avanço das plataformas digitais continue no ritmo atual. O estudo também pretende considerar como decisões relacionadas à televisão digital terrestre (DTT) podem afetar a distribuição de serviços de rádio no país.

Essa nova avaliação dá continuidade a um relatório anterior, publicado em 2021, que recomendou a manutenção do FM pelo menos até 2030. Na ocasião, foi sugerido que governo e indústria voltassem a discutir a possibilidade de desligamento do sinal analógico em 2026, cenário que agora começa a ser analisado de forma mais detalhada.

O estudo em andamento deverá projetar diferentes cenários para o consumo de rádio e áudio no Reino Unido ao longo da próxima década, considerando mudanças no comportamento dos ouvintes, tendências do mercado e avanços tecnológicos. A partir dessas análises, serão avaliadas estratégias de distribuição para o setor e o impacto dessas transformações na disponibilidade dos serviços de rádio para o público.

Ao final do processo, o relatório apresentará recomendações sobre a distribuição dos serviços de rádio e indicará caminhos para fortalecer a sustentabilidade do setor até o início da década de 2040. A conclusão da revisão está prevista para o final de 2026.

*Fonte: Tudo Rádio

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