ARTIGO: A Copa do Mundo, o rádio e o poder do agora

Imagem: Gerada por IA

A maioria das pessoas olhava para a Copa do Mundo e via futebol. Acho que a história mais importante é como esse evento se tornou uma experiência nacional compartilhada, mas com uma grande diferença: os americanos não se tornaram fãs de futebol da noite para o dia. Se tornaram fãs do evento.

Milhões de pessoas que não entendiam o que era impedimento ou prorrogação ainda assim assistiam. Vestiam as camisas dos jogadores. Se reuniam em bares. Aprenderam os nomes dos jogadores. Queriam fazer parte de algo.

Nesse aspecto, as rádios frequentemente cometem o mesmo erro que os artistas musicais.

Acreditamos que as pessoas se apaixonam pelo nosso produto. Muitas se apaixonam pela experiência que o envolve. As pessoas não fizeram fila porque o futebol mudou. Elas fizeram fila porque o evento parecia importante.

Há uma lição aí: “90 minutos de sucessos sem comerciais” versus imagens divertidas, talento inteligente, preparado e com ótima capacidade de contar histórias entre esses sucessos. Distribuir um par de ingressos para um show versus distribuir ingressos que incluem uma experiência para fãs com o artista.

O senso de comunidade ainda supera a conveniência.
Durante anos ouvimos que a tecnologia nos isola. Então veio a Copa do Mundo. Milhares de pessoas se aglomeraram nas fan zones. Bairros inteiros se enfeitaram. Pessoas de dezenas de países celebraram juntas. Ninguém disse: “Vou assistir aos melhores momentos depois”. Todos queriam vivenciar aquilo com outras pessoas.

É exatamente isso que o rádio local sempre fez de melhor.

A maior oportunidade está em criar mais momentos que as pessoas queiram vivenciar juntas. Seja ficar sentado em uma mesa postando nas redes sociais ou sair e experimentar a vida com seus ouvintes.

A Copa do Mundo provou que a presença ao vivo ainda importa.
Num mundo sob demanda, todos apareciam ao mesmo tempo. Ninguém queria saber do gol da vitória três horas depois. Queriam vivenciá-lo em tempo real.

O rádio sempre foi dono do “agora”.

Trânsito.
Notícias de última hora.
Previsão do tempo.
Programas matinais.
Personalidades locais.

Passamos anos nos desculpando por não estarmos disponíveis sob demanda. Talvez tenhamos esquecido que nossa maior força é justamente o oposto. Pense “agora” em vez de “talvez mais tarde”.

A hospitalidade importa.
A maneira como os americanos recebiam os visitantes. Se todas as experiências eram perfeitas ou não, não era esse o ponto principal. O objetivo era fazer com que as pessoas se sentissem acolhidas.

O rádio se afastou dessa mentalidade. Será que damos as boas-vindas a todos os novos ouvintes?

Todo anunciante iniciante?

Todo novo funcionário?

Todo estagiário?

Eles sentem que estão se juntando a algo que os entusiasma? Ou estão simplesmente entrando em mais um local de trabalho, ou vendo apenas mais uma tenda com duas pessoas atrás de uma mesa?

Ninguém passou o torneio reclamando que futebol não era futebol americano.
As pessoas simplesmente gostavam daquilo pelo que era. Enquanto isso, o rádio gasta uma enorme quantidade de energia falando sobre o que não é.

“Não somos o Spotify.” “Não somos o TikTok.” A Copa do Mundo nunca tentou se tornar a NFL. Ela redobrou a aposta naquilo que a tornava única. O rádio deveria parar de se comparar com todo mundo e se tornar, sem pedir desculpas, melhor em ser rádio.

Na verdade, isto não tem nada a ver com futebol. Tem a ver com provar que, apesar de todas as previsões de que a tecnologia nos isolaria em milhões de telas individuais, as pessoas ainda anseiam por momentos que sejam comentados por todos ao mesmo tempo.

A Copa do Mundo expôs esse desejo. O rádio foi construído em torno disso por mais de 100 anos. Se as pessoas ainda anseiam por se reunir, pertencer, celebrar, acolher estranhos e compartilhar algo ao vivo, por que o rádio não faz mais para criar esses momentos?

João Shomby – Proprietário e CEO da Country’s Radio Coach. Ele se dedica a orientar e treinar artistas, programadores de rádio e locutores, ajudando-os a crescer e se desenvolver dentro das emissoras e na indústria.

*Fonte: RadioINK