*Imagem: Captura de tela / YouTube TV Síntese
Em entrevista ao Tele.Síntese no MWC Barcelona 2026, Fred Siqueira também tratou da renovação do Fust, do uso de sobras da EAF em segurança pública, do plano de inclusão digital e da TV 3.0.
O Ministério das Comunicações prevê lançar, nos próximos três meses, uma política nacional voltada a data centers e outra para cabos submarinos, disse o ministro Frederico Siqueira em entrevista ao Tele.Síntese durante o MWC Barcelona 2026. Na conversa, ele também afirmou que a pasta trabalha para renovar a linha de financiamento do Fust, ampliar o uso de recursos da EAF em projetos ligados à segurança pública e estruturar um plano nacional de inclusão digital.
Ao comentar o tema dos data centers, o ministro vinculou a agenda do MCom à discussão sobre incentivos tributários que vinha sendo tratada no ReData. Segundo ele, a política de infraestrutura e conectividade que está em formulação no ministério pode avançar independentemente da aprovação de um projeto de lei, embora dependa, na prática, da criação de incentivos econômicos para atrair investimentos.
Em suas palavras:
“A gente acredita que será buscada uma alternativa para garantir que ainda em 2026 esses incentivos sejam concedidos para a atração desses investimentos.”
Na sequência, acrescentou:
“Nesse momento, estamos concluindo [o projeto com base] em dados que recebemos do mercado para que, nos próximos três meses, seja possível lançar essa grande política nacional para dar visibilidade para todos os investidores que têm interesse em fazer seus investimentos seguros no Brasil.”
Cabos submarinos entram no pacote
A política de data centers terá companhia de outra política federal focada em infraestrutura digital: a de cabos submarinos. Fred Siqueira disse que o governo vai apresentar uma política com foco em licenciamento, pontos de ancoragem e descentralização geográfica.
Segundo ele, o Brasil tem um parque de cabos submarinos “já antigo, que vai precisar ser renovado”. Para isso, o governo estuda medidas “facilitando o licenciamento ambiental, facilitando os pontos de ancoragem, fechando parceria com estados e municípios, criando um balcão único de licenciamento para facilitar e desburocratizar o acesso”.
Fust entra em nova fase
Outro eixo de ação no curtíssimo prazo diz respeito ao Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações. O ministro afirmou que a primeira fase da linha de financiamento se encerra neste ano, mas que o ministério já discute sua renovação com a equipe econômica.
Entre 2023 e 2026, o governo liberou R$ 3,2 bilhões para investimentos em modernização de redes. Sobre o próximo ciclo, afirmou:
“A gente está trabalhando para fazer a ampliação e renovação dessa linha de financiamento.”
Segundo o ministro, o valor da nova etapa ainda não foi fechado e está em discussão com o Ministério da Fazenda.
Fred Siqueira também citou outras frentes de financiamento. Já estão aprovados US$ 100 milhões para operadoras e provedores regionais, com projetos submetidos à análise do BNDES. Para TV 3.0, há R$ 500 milhões disponibilizados pelo BID para a modernização das emissoras.
EAF, rede privativa e segurança pública
Ao tratar da EAF, entidade responsável por compromissos associados ao edital do 5G, o ministro disse que projetos adicionais ainda estão em discussão e destacou que a prioridade é direcionar eventuais sobras de recursos para aplicações de segurança pública sobre a rede privativa.
Ele afirmou que a primeira fase da rede privativa móvel “já está sendo concluída”, com foco na integração de redes legadas, e que o próximo desenho será construído em conjunto com o Ministério da Justiça. A intenção, segundo ele, é ir além da infraestrutura física e avançar sobre aplicações.
“A ideia é que a rede privativa faça a conexão fixa dos pontos de segurança, postos de fronteira. Mas o que a gente entende é que pode ir além com essa sobra de recursos e entrar na camada de aplicação em cima da rede privativa”, exemplificou.
Inclusão digital e TV 3.0
O ministro afirmou ainda que o MCom está finalizando um plano nacional de inclusão digital para conectar unidades básicas de saúde, centros de referência de assistência social, assentamentos rurais e pontos de cultura digital. Este programa, no entanto, ainda não conta com recursos definidos.
Sobre a TV 3.0, Fred Siqueira afirmou que a expectativa do governo é que os primeiros serviços estejam disponíveis a partir de junho, em São Paulo e em Brasília. Ressaltou, porém, que a ativação do sinal no novo padrão de TV aberta depende das emissoras.
“O papel do governo foi feito com a edição de decreto em 2025″.
Confira a entrevista:
*Fonte: Rafael Bucco via Tele.Síntese

