Guilherme Abrantes em coletiva de imprensa. Foto: Lívian Alves/AMIRT
Eleito presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) para a gestão 2027-2030, o empresário Guilherme Silva Costa Abrantes concedeu, nesta terça-feira (21), sua primeira coletiva de imprensa após a eleição realizada na segunda-feira (20). Durante o encontro, o presidente eleito apresentou as principais prioridades para a próxima gestão e destacou o compromisso com o fortalecimento da indústria mineira e a continuidade do trabalho desenvolvido pela entidade.
Natural de Belo Horizonte, Guilherme Abrantes tem 55 anos, é administrador formado pela Faculdade Integrada Newton Paiva e atua há 26 anos no setor de laticínios. Atualmente, é diretor da Laticínios Dona Formosa, empresa localizada em Águas Formosas, no Vale do Mucuri. Sua trajetória no movimento sindical empresarial começou no Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (SILEMG), onde exerceu três mandatos como diretor financeiro e, posteriormente, dois mandatos como presidente. Na última gestão da FIEMG, ocupou o cargo de diretor financeiro.
Indústria forte como prioridade
Segundo o presidente eleito, o principal desafio da próxima gestão será garantir condições para que a indústria continue crescendo e gerando desenvolvimento econômico:
“O desafio, eu acho que é único: ter uma indústria forte e que continue crescendo. Não é uma tarefa fácil, é um trabalho que já vem sendo feito há oito anos para dar essa energia, esse crescimento para a indústria, e é uma briga que vai ser constante. Então, é uma briga contra a parte tributária, jurídica, energia. Tendo uma indústria forte, eu sei que nós temos um crescimento, não só para o Estado, mas para o Brasil; mão de obra… vem tudo junto. Isso é a base.”
Abrantes também afirmou que a experiência adquirida como diretor financeiro da FIEMG contribui para o início da nova gestão.
“A gente passa a conhecer um pouco mais a casa e o andar da carruagem, mas, lógico, serão novos desafios. Eu gosto de desafios; eu acho que esses desafios fazem com que a vida tenha um sentido. Então, o meu sentido é sempre buscar melhoria.”
Embora o mandato tenha início em janeiro de 2027, o presidente eleito explicou que o processo de transição já começou.
“Eu acho que eu nunca parei de trabalhar, mesmo nesse momento que antecedia a eleição, a gente estava entendendo mais a casa, o funcionamento da casa. Então, agora eu começo uma transição maior para já entrar com mais segurança no que fazia, para dar uma linha contínua de crescimento ao que já vem sendo feito.”
Menos burocracia e mais formação profissional
Entre as prioridades apresentadas, Guilherme Abrantes defendeu a redução da burocracia para impulsionar a economia:
“Não só para a indústria, mas para o agro, para o comércio, para todos. Se a gente diminuir essa burocracia, eu não tenho dúvida de que vai andar. Tudo anda, vai ter geração de emprego, vai ter crescimento, melhor educação, tem tudo. Então, se essa burocracia cai, o imposto cai, eu tenho certeza de que a mudança de vida é contínua.”
Para isso, afirmou que pretende manter diálogo permanente com os governos.
“Eu espero que eu tenha um bom relacionamento, tanto com o governo federal e estadual, para se discutir isso, para que consiga ter um bom engaje, uma boa comunicação.”
Outro eixo destacado foi o fortalecimento da qualificação profissional por meio das escolas do SESI e do SENAI:
“Hoje, as escolas SESI, SENAI produzem uma ótima educação, e eu sei que eu vou conseguir formar grandes profissionais. Eu tenho muito na minha convicção de vida, mudar a vida das pessoas. Eu tenho certeza de que, com uma indústria forte, eu terei escolas com potenciais fortes para que se consiga esse objetivo.”
Modernização e inovação
Abrantes também ressaltou que a modernização das empresas será fundamental para ampliar a competitividade da indústria mineira:
“A indústria tem que se modernizar. Sem modernização, não anda. E, para tanto, nós precisamos de crédito. A gente tem que brigar por crédito, ter condições, posições para que a indústria consiga se inovar. Indústria forte, mercado crescente.”
Sobre os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o presidente afirmou que será necessário buscar alternativas para as empresas.
“Tem que existir uma comunicação muito forte, não só das entidades, mas do governo estadual e federal, para que tenha mudança. Mas, junto disso, eu espero que o Estado atenda a essas empresas que vão sofrer com esse tarifaço, com ajudas de crédito, possibilidades de inovação e, lógico, uma condição de abertura de novos mercados. Sei que os Estados Unidos são muito importantes para o Brasil e para o mundo, mas temos que buscar novos mercados.”
Continuidade da gestão

Flávio Roscoe em coletiva de imprensa. Foto: Hannah Andrade/AMIRT
Também presente na coletiva, o ex-presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, demonstrou confiança na nova administração.
“Guilherme tem todas as qualidades para comandar esse novo ciclo da indústria ao longo dos próximos anos.”
Roscoe destacou que a próxima gestão terá muitos desafios pela frente, já que o Brasil teve um grande retrocesso no ambiente de negócios, devido às medidas adotadas pelo governo federal, que, segundo ele, aumentaram a burocracia. Ele lembra que todo custo adicionado para quem produz vira preço para o consumidor.
“Parece que a burocracia é inofensiva. Ou parece que as exigências extraordinárias ou a complexidade que se criam em vários temas não têm impacto. Na população tem sim. Porque todo custo é repassado para os produtos. E, com isso, reduz o poder aquisitivo e a produtividade da indústria. Então o desafio da próxima gestão é muito grande sob essa perspectiva.”
O ex-presidente afirmou que, ao longo da última gestão, construiu-se um consenso em prol do que é melhor para a indústria, defendendo efetivamente os interesses empresariais. Ele disse, ainda, que há necessidade de continuidade dessa atuação, e que fica tranquilo quanto à escolha de Guilherme para a posição, pois sabe da qualidade do seu trabalho.
“O mais importante de um gestor é fazer o sucessor. Tive muito êxito em fazer um sucessor. Que eu tenho total confiança de que reúne todas as capacidades e qualidades. Para levar a FIEMG ainda mais para frente, mais para o alto. E tenho certeza de que o Guilherme vai fazer isso. E com certeza vai superar várias das coisas que essa gestão fez.”
Em relação às eleições de 2026, Roscoe reforçou que seu nome continua à disposição e que, como seu objetivo é contribuir para o desenvolvimento das pessoas, com “menos governo”, qualquer resultado é positivo.
Ao comentar o legado que deixa na instituição, reforçou a mudança cultural:
“Acima de tudo, a gente teve a visão de que não tem desenvolvimento industrial sem o desenvolvimento da sociedade. E quando você faz com o objetivo de ser mais produtivo, com o objetivo de contribuir para a sociedade, os impactos chegam. Saímos de uma entidade com um patrimônio de 800 milhões para um patrimônio próximo de R$ 6 bilhões, no final de 2026. Então fizemos em 8 anos, 7 vezes mais do que foi feito nos 86 que antecederam. Para a sociedade, saímos de 60 mil alunos, no dia em que eu tomei posse, para mais de 300 mil alunos. No que tange à qualidade, das 10 melhores escolas do SESI no Brasil para o Enem, 9 são de Minas Gerais. Então temos um trabalho não somente em números, mas em qualidade muito expressivo.”
Afirmou ainda que, para ele, a maior herança deixada é o empresário entender que a FIEMG é a casa dele, e que lá eles são defendidos a todo momento. Roscoe salientou que a população precisa entender a realidade sobre o empreendedorismo no país, já que há uma tendência natural em “demonizar aqueles que empreendem e contrapõem quem empreende ao governo.”
O ex-presidente finalizou dizendo que essa premissa é um equívoco muito grande, porque, na verdade, “quem empreende é que gera riqueza, prosperidade e aumento de produtividade.” Ele lembra que o governo não gera riqueza nenhuma, mas a absorve e distribui. Na sua visão, a narrativa imposta à população serve apenas para manter no poder e no controle quem já ocupa esses lugares, fazendo com que o Brasil perca relevância no cenário internacional.
“A gente não vê o nosso país crescendo, prosperando, as coisas acontecendo, as pessoas subindo. Todo mundo com dificuldade de orçamento, todo mundo endividado, todo mundo sem grandes perspectivas. E isso, na verdade, não corresponde ao nosso potencial. E a gente tem que resgatar esse potencial brasileiro, que ele é extraordinário e só depende de nós,” afirmou.
A eleição de Guilherme Abrantes contou com chapa única e recebeu 123 dos 125 votos contabilizados, o equivalente a 98,4% do total. O mandato terá início em 1º de janeiro de 2027 e seguirá até 31 de dezembro de 2030. A nova diretoria será responsável por conduzir as ações institucionais da FIEMG e representar os interesses da indústria mineira durante o período.

