ANÁLISE: Rádios religiosas representam 11% das emissoras, aponta levantamento

Imagem: IA/ChatGPT

No último dia 20 de outubro, o Tudo Rádio completou 25 anos. De propriedade do jornalista Daniel Starck, o portal se firmou não apenas como o primeiro, mas o único a cobrir o dia a dia das emissoras brasileiras de forma contínua, responsável e séria. Ao mesmo tempo, consolidou-se como um dos maiores agregadores do país.

Além de facilitar a vida dos ouvintes e gerar tráfego para as emissoras, o agregador Tudo Rádio é uma fonte valiosa de dados que revelam tanto o comportamento da audiência quanto a forma como o mercado se estrutura em termos de oferta de conteúdo. Hoje, a plataforma conta com quase sete mil rádios ao vivo. Trata-se, portanto, de uma amostra extremamente consistente do cenário nacional.

Recentemente, debrucei-me sobre alguns desses dados gerados pelo Tudo Rádio, que coletei em 21 de outubro de 2026. Um deles chamou especialmente minha atenção: 11% das rádios são religiosas. São precisamente 729 emissoras, sendo 551 evangélicas (76% do total), 164 católicas (22%) e 14 espíritas (2%).

Cinco rádios religiosas acumulam um milhão ou mais de plays na plataforma: Novas de Paz, de Jaboatão dos Guararapes (3,5 milhões de plays); Feliz FM, de São Paulo (2,3 milhões); Rede Aleluia, de São Paulo (1,4 milhão); Feliz FM, do Rio de Janeiro (1,3 milhão); e FM Dom Bosco, de Fortaleza (1 milhão). Cabe sublinhar que somente a última é católica, enquanto todas as demais são evangélicas.

Outro ponto interessante é o grau de satisfação dos ouvintes, que pode ser verificado por meio de duas formas de engajamento disponibilizadas pelo Tudo Rádio. A primeira é a nota. As cinco rádios religiosas que integram, digamos assim, o grupo do milhão receberam um total de 437 mil avaliações dos usuários. A média ponderada dessas avaliações dá uma nota de 4,88. Trata-se de um ótimo resultado, considerando que a nota máxima é cinco.

Além disso, essas cinco rádios do milhão receberam 423,6 mil likes contra 13,4 mil dislikes. Ou seja, foram 32 likes para cada dislike. O julgamento da audiência, portanto, é bastante positivo.

Muitas razões explicam o espaço expressivo que a religião ocupa no rádio. A primeira delas é que a religião ocupa um espaço expressivo também na vida dos brasileiros. Afinal, estamos tratando de uma mídia consumida, segundo o IBOPE, por quase oito em cada dez pessoas em treze importantes regiões metropolitanas. Por se tratar de uma parcela tão grande da população, qualquer dinâmica social se reflete no rádio (e vice-versa).

De acordo com levantamento realizado em 2026 pela Quaest e pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER), 84% dos brasileiros têm religião. Os católicos são maioria, com 50%, seguidos pelos evangélicos, com 29%. Já quando se considera a frequência semanal ou maior em cultos, missas e atividades religiosas, os evangélicos lideram, com 67%, seguidos pelos católicos praticantes e pelas religiões afro-brasileiras, ambos com 40%. Desses números, pode-se depreender uma demanda maior do público evangélico por conteúdos que estejam em linha com sua intensa atividade devocional.

Outra razão: o rádio tem ligações históricas com a religião desde o seu nascimento. Não podemos esquecer que o meio foi inventado no século XIX por um padre, o gaúcho Roberto Landell de Moura. De lá para cá, vários dos conteúdos de maior sucesso já transmitidos são confessionais: da Ave-Maria com Júlio Louzada ao programa Experiência de Deus, com o padre Reginaldo Manzotti, passando pela Hora da Boa Vontade, com Alziro Zarur, fundador da Legião da Boa Vontade, e pela Palavra Amiga do bispo Macedo.

É preciso ir além dos preconceitos quando se trata de fé em geral e de fé no rádio em particular. Emissoras e programas religiosos foram e são determinantes na evolução da devoção dos brasileiros. Em tempo: segundo a pesquisa ISER/Quaest, 98% da população brasileira acredita em Deus.

Fernando Morgado — consultor e palestrante com quase 20 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. É mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM.

*Fonte: MIDIACOM MS