Google: quais são as ações de IA para o jornalismo no País?

Imagem: Meio&Mensagem/Reprodução

A democratização da inteligência artificial (IA) tem transformado não apenas a forma com a qual os usuários buscam e consomem informação online, mas também o modo de trabalho e funcionamento de redações e veículos jornalísticos.

As gigantes da tecnologia tornam-se, portanto, players importantes no intermédio com a audiência. O Google, dessa forma, é uma dessas empresas.

De fato, a consolidação do buscador, notadamente por conta do Google, consonante com a sofisticação da web e a digitalização do jornalismo, desencadeou novos rumos para a imprensa global. Agora, de fato, o jornalismo ganha novo capítulo com os impactos da IA sobre o consumo de notícias.

Fabiana Zanni, diretora de parcerias de notícias do Google para a América Latina (Foto: Google/Divulgação)

“O Google tem um histórico de duas décadas de trabalho próximo com a indústria de notícias — mantendo relacionamentos duradouros, participando de pesquisas do setor e construindo produtos com e para organizações”, descreve Fabiana Zanni, diretora de parcerias de notícias do Google para a América Latina.

“Nossa prioridade no Brasil e na América Latina continua sendo ajudar os publishers a navegar pelas mudanças na tecnologia”, declara.

No entanto, publishers e associações jornalísticas acompanham o movimento em busca dos direitos da retomada do tráfego e da garantia de remuneração diante dos mecanismos impulsionados por IA.

Acordos com Estadão e Folha
No final de 2025, o Estadão firmou parceria com o Google para licenciar conteúdo para sistemas de IA. Antes, as companhias já tinham acordo para o licenciamento de painéis de notícias para uso no Google Notícias e Discovery. A big tech é, ainda, parceira da Folha de S. Paulo para aperfeiçoar as respostas fornecidas pelo Gemini.

“Pagamos por coisas como direitos de exibição estendidos, sinais aprimorados, APIs para entrega de informações em tempo real e para realizar experimentos de produtos em colaboração com nossos parceiros. Estamos, também, sempre conversando com organizações de notícias sobre como nossa crescente suíte de ferramentas de IA pode ajudar a apoiar seus negócios”, detalha a executiva.

Fora do mercado editorial brasileiro, trabalha com veículos como El País, The Guardian, The Washington Post e The Associated Press, entre outros. O trabalho junto a publishers de notícias globais, entre acordos comerciais e programas pilotos de IA, representa, de fato, parte de estratégia multifacetada e maior, segundo Fabiana.

Personalização
Com o feedback de usuários, as parcerias têm contribuído para a expansão global do recurso Fontes Preferidas, que permite a personalização da seção de Notícias Principais para destaque maior em conteúdos de portais e sites selecionados pelos usuários.

A empresa promete, de fato, ajudar os portais, por meio da ferramenta, a fortalecer suas audiências.

Entre demais ações, o Google amplia o número de links integrados no Modo IA e atualiza o design para aumentar a utilidade aos usuários, aliada a mensagens contextuais das respostas que fornecem os links.

Ainda, testa resumos de notícias impulsionadas por IA nas páginas do Google Notícias, por exemplo, como parte de programa piloto de IA, o News Pilot, junto a editoras em todo o mundo. 

Impulso às audiências

“Estamos descobrindo, junto com os veículos, soluções tecnológicas que podem impulsionar audiências qualificadas e gerar valor mútuo para todo o ecossistema. Isso envolve o aprimoramento contínuo de experiências integradas em nossas plataformas e a exploração constante de novas modalidades de cooperação”, diz a diretora.

O Google enfrenta, atualmente, processo no Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para avaliação do uso de conteúdo jornalístico de terceiros.

Na última semana, a empresa apresentou defesa contestando a alegação do órgão de que ocupa posição dominante, hipótese apresentada pelo presidente interino Diogo Thomson, e que explora veículos de imprensa.

A big tech, contudo, defende que a obrigação de remuneração de publishers deve ocorrer por meio de decisão legislativa.

Trabalho com redações
Assim, a big tech investe no treinamento de jornalistas para a aplicação de ferramentas de IA generativa a fim de simplificar operações rotineiras.

É o caso, portanto, do uso de plataformas como Pinpoint e NotebookLM para organizar dados, extrair insights de documentos longos e acelerar pesquisas.

No ano passado, dessa maneira, a rede de treinamento da companhia realizou mais de seis mil sessões de capacitação digital em todo o Brasil, o que incluiu mais de quatro mil participações focadas em explorar o potencial da IA em redações de diversos portes.

“Nosso objetivo é garantir que veículos regionais e nacionais possam navegar por essa transição tecnológica de maneira eficaz, reduzindo as lacunas digitais em todo o setor”, afirma Fabiana.

Pilares da integração com IA
De olho no futuro da relação entre o jornalismo e a IA, o Google vê oportunidades da integração da tecnologia sustentadas em quatro pilares:

– a melhoria dos fluxos de trabalho de criação e produção de conteúdo nas redações;

– aprimoramento e personalização de experiências de produtos diretamente para os usuários;

– impulsionamento de dados, insights e ferramentas para direcionar a receita de publicidade e de leitores;

– e facilitação da melhoria da produtividade e da colaboração para os funcionários em toda a organização.

*Fonte: Meio&Mensagem