A implementação da DTV+ no Brasil está entre os projetos finalistas do IBC2026 Innovation Awards, premiação internacional dedicada a reconhecer aplicações tecnológicas que já foram implantadas para solucionar desafios concretos das indústrias de mídia e entretenimento. Liderada pela Globo, a iniciativa brasileira concorre na categoria Content Everywhere ao combinar o alcance da televisão aberta com recursos digitais de personalização, mensuração e integração entre transmissão aberta e conexão de banda larga.
O reconhecimento integra a programação do IBC2026, que será realizado entre os dias 11 e 14 de setembro, no centro de exposições RAI Amsterdam, em Amsterdã, nos Países Baixos. O evento reúne radiodifusores, empresas de mídia, produtores, plataformas digitais, fornecedores de tecnologia e especialistas de diferentes mercados internacionais.
Criado há mais de 20 anos, o IBC Innovation Awards valoriza projetos colaborativos desenvolvidos para atender a necessidades reais da indústria. Diferentemente de premiações voltadas apenas aos fornecedores, o reconhecimento é concedido principalmente à organização responsável pela aplicação da solução, também destacando os parceiros tecnológicos envolvidos no processo.
Em 2026, mais de 120 projetos implementados disputaram espaço nas categorias Content Creation, Content Distribution, Content Everywhere e Social Impact. Os vencedores serão anunciados no domingo, 13 de setembro, às 18h, no palco principal da conferência do IBC, no RAI Amsterdam.
No caso brasileiro, a DTV+ procura reconectar a escala da televisão aberta às possibilidades oferecidas pelos ambientes digitais. O projeto envolve a integração entre broadcast e broadband, permitindo acrescentar recursos como experiências personalizadas, mensuração de utilização e novos pontos de contato entre as emissoras e o público.
A implementação também prevê uma atuação coordenada entre governo, radiodifusores e representantes da indústria. Uma das frentes está relacionada à presença dos serviços de televisão aberta nas telas iniciais dos televisores conectados, por meio de aplicativos e pontos permanentes de acesso, evitando que os canais tradicionais percam visibilidade diante da expansão das plataformas digitais.
O projeto brasileiro concorre com uma experiência conectada desenvolvida pela Premier League com a Microsoft, baseada em inteligência artificial conversacional, e com o Tillyverse, iniciativa da Particle 6 que utiliza uma personagem criada por inteligência artificial. A presença dos três projetos na categoria mostra diferentes caminhos para a integração entre conteúdo, conectividade, personalização e novas formas de relacionamento com as audiências.
Outro tema que deverá ganhar espaço no IBC2026 é o custo energético e financeiro da infraestrutura necessária para sustentar serviços de streaming, armazenamento, nuvem e inteligência artificial. A britânica Humans Not Robots, ou HNR, informou que realizará sua maior participação até agora no evento, com demonstrações relacionadas à observabilidade de operações digitais.
A empresa apresentará a plataforma HNR to ZERO, que reúne informações financeiras, operacionais, energéticas e ambientais. Segundo a HNR, a proposta é permitir que organizações avaliem não apenas quanto uma operação tecnológica custa ou consome, mas também o valor comercial que ela entrega.
As informações sobre possibilidades de redução de custos, consumo energético ou emissões são estimativas e alegações comerciais divulgadas pela própria companhia.
A metodologia promovida pela empresa é denominada Quality of Impact, ou QoI. O conceito procura acrescentar métricas de custo, energia, emissões e valor comercial às análises tradicionais de qualidade de serviço e experiência do usuário.
A HNR também utiliza a expressão “inteligência por watt” para relacionar os resultados produzidos por cargas de inteligência artificial à energia consumida. A expressão, porém, representa um conceito promovido pela empresa e não uma unidade técnica universal ou padronizada pela indústria.
Durante o evento, a empresa participará do EcoFlow X, iniciativa que reúne organizações como European Broadcasting Union, Channel 4, ITV, Accedo, Digital TV Group e Institution of Engineering and Technology. O projeto deverá apresentar demonstrações de streaming sustentável e discutir como dados sobre energia e emissões podem passar a integrar decisões operacionais, em vez de permanecerem restritos a estimativas institucionais.
Também está prevista uma sessão de duas horas no dia 12 de setembro, na sala E105, dentro do IBC Partner Programme. A proposta é mostrar como a medição de energia e emissões pode ser incorporada às decisões realizadas ao longo da cadeia de produção e distribuição de mídia.
A HNR também integra o 5G-EMERGE, consórcio apoiado pela European Space Agency que pesquisa a combinação entre redes terrestres e distribuição por satélite. No IBC2026, será demonstrada uma estrutura capaz de comparar modelos de entrega de mídia tradicionais, dinâmicos e preditivos, com a mensuração do consumo energético ao longo da cadeia.
Embora as aplicações apresentadas pela Humans Not Robots não sejam direcionadas especificamente ao rádio, os conceitos podem interessar às emissoras e aos grupos de comunicação que utilizam streaming, armazenamento, serviços em nuvem, redes de distribuição e ferramentas de inteligência artificial.
A ampliação dessas estruturas também aumenta a necessidade de compreender seus custos, sua utilização efetiva, o retorno comercial produzido e o consumo de energia associado.
A edição de 2026 deverá reforçar uma mudança na forma como a indústria avalia a inovação. Além da capacidade de produzir e distribuir conteúdo, passam a ter maior peso a integração entre plataformas, a personalização, a mensuração, a acessibilidade, a eficiência operacional e a sustentabilidade.
Enquanto a DTV+ representa a convergência entre o alcance tradicional da radiodifusão e as possibilidades digitais, a discussão apresentada pela Humans Not Robots aponta para a necessidade de mensurar o custo, o consumo de energia e o valor produzido pela infraestrutura que sustenta essa transformação.
*Fonte: Tudo Rádio





