Imagem: Tung Nguyen/Pixabay
Grupos de comunicação brasileiros estão implementando ferramentas de inteligência artificial para automatizar tarefas operacionais e acelerar o fluxo de trabalho de seus colaboradores. As soluções tecnológicas adotadas por Globo, SBT, CNN Brasil e Grupo RBS foram apresentadas nesta segunda, 17, no painel “Experiências práticas da IA no workflow das emissoras”, durante o congresso SET Expo 2026, realizado em São Paulo.
Na rotina jornalística, a tecnologia assumiu os processos mecânicos de transcrição e tradução. Marcio Tumen Pinheiro, chefe de Redação da CNN Brasil, relatou que a emissora utiliza a inteligência artificial para transcrever a fala dos âncoras em tempo real, permitindo que a equipe digital publique as notícias sem aguardar o término dos telejornais ou realizar cortes manuais de vídeo. O sistema também é aplicado na redação de notas sobre previsão do tempo e na adaptação de conteúdos gerados por parceiros, como a Rádio Itatiaia. A publicação do material exige revisão humana obrigatória e inclui um aviso de transparência ao leitor, informando sobre o uso de automação no processo.
“A IA tira a burocracia do caminho, e o jornalista faz o resto”, explicou Pinheiro.
O uso de dados e metadados para indexar acervos foi testado na cobertura esportiva. A Globo aplicou ferramentas de análise multimodal e geração de metadados para processar o sinal de vídeo dos jogos. Renan Porto Gomes, head de Acervo e Governança de Dados de Conteúdo da Globo, detalhou que o sistema realizava cortes a cada dois minutos e gerava transcrições automáticas. Com a indexação, os profissionais da emissora puderam buscar momentos específicos das partidas utilizando linguagem natural.
No sul do país, a integração da tecnologia resultou na criação de aplicativos internos próprios. Uma equipe de manutenção do Grupo RBS utilizou o modelo Claude 3 para programar o sistema Iris, ferramenta web voltada para a distribuição e monitoramento de sinais de vídeo das rádios e produtos digitais. Segundo Rhadam Miranda, gerente executivo de Operações e Governança do Grupo RBS, a primeira versão da plataforma foi desenvolvida em cerca de oito horas de trabalho. Em menos de um ano de uso, os funcionários da área criaram mais de 15 ferramentas customizadas para a operação.
Para estruturar a transição sem comprometer a segurança, executivos de tecnologia alertam para a necessidade de centralização. Ivan Ferraz, diretor de Tecnologia, Dados e Inovação do SBT, destacou que a adoção fragmentada por diferentes setores aumenta a exposição a riscos, como violações de dados e falhas de conformidade. Para contornar o problema, o SBT desenvolveu uma plataforma centralizada que encapsula os modelos de linguagem, permitindo o controle de escala e monitoramento de custos, aliada a um centro de excelência focado no letramento das equipes.
A substituição de funções braçais pelas plataformas gerativas exige que as emissoras readaptem o foco de seus colaboradores, transferindo o esforço humano para o trabalho analítico, de curadoria e supervisão editorial. A consolidação da inteligência artificial no setor de radiodifusão depende agora do amadurecimento da governança corporativa, garantindo que o ganho de eficiência técnica não escale vulnerabilidades jurídicas e operacionais para os grupos de mídia.
*Fonte: TELA VIVA





