Candidato Alexandre Kalil e apresentadora Hannah Andrade. Foto: Suelen Rodrigues/AMIRT
Entrevista em vídeo e áudio no fim da página.
O Minas em Pauta dá continuidade à edição especial Eleições 2026 com uma entrevista com Alexandre Kalil, candidato ao governo de Minas pelo PDT. Durante o programa, foram discutidas propostas e posicionamentos para áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, mineração e relação com os municípios.
Ao falar sobre sua experiência à frente da Prefeitura de Belo Horizonte, Kalil destacou a redução de despesas administrativas e a ampliação dos recursos destinados aos serviços oferecidos diretamente à população. Segundo o candidato, a experiência na administração municipal seria um dos principais diferenciais de sua candidatura ao governo estadual.
“Primeiro é retirar a despesa dos prédios, que eu digo, né? Porque esse estúdio aqui tem seis lâmpadas; vamos reduzir para uma lâmpada. Você entrega lá na ponta mais médicos, mais enfermeiros, policial mais remunerado, poder conversar sobre recomposição salarial, tirar o dinheiro da burocracia, que nunca foi feito um plano desse de gestão nos últimos oito anos ou treze anos do governo de Minas, e entregar para a população.”
Dívida de Minas Gerais
Sobre a dívida pública de Minas Gerais, Kalil defendeu a renegociação do acordo firmado entre o Estado e a União. Segundo o candidato, o pagamento da dívida compromete recursos que poderiam ser destinados a serviços públicos.
“Eu queria deixar uma coisa aqui, Hannah, bem clara, porque a população fala assim: ‘O que eu tenho com essa dívida?’ Então, vamos lá, essa dívida é dinheiro que está tirando do médico, da polícia, da segurança pública, da enfermeira, da professora, da escola, da prefeitura, das estradas; é isso que nós estamos brigando. Quando fala em dívida de Minas, a população tem que entender que nós estamos falando de tirar dinheiro de Minas, que já não tem, que já foi saqueada.”
Relação com o governo Romeu Zema
Ao avaliar os oito anos de gestão do grupo político liderado por Romeu Zema, Kalil criticou a relação do governo estadual com outras esferas de poder e defendeu uma postura de diálogo com o governo federal.
O candidato afirmou que uma eventual gestão sua buscaria estabelecer negociações em Brasília, independentemente de quem ocupasse a Presidência da República.
“Esse governo do Matheus Simões e do Zema, de oito anos, não sentou na mesa uma vez para discutir alguma coisa. Então, a gente tem que saber que, se você não tem aí uma estrada duplicada, se você não tem na sua cidade nada que foi feito pelo governo do Estado, é muito simples, porque eles não sentaram para discutir. Eles sabem agredir os outros, xingar o presidente da República.”
Kalil também afirmou que não manteria políticas da atual gestão da mesma forma, embora tenha citado a possibilidade de ampliar iniciativas já existentes nas áreas de saúde e educação.
Incentivos fiscais
Sobre os incentivos fiscais concedidos pelo Estado, Kalil defendeu uma avaliação individual dos benefícios para verificar quais geram retorno econômico e empregos. Segundo o candidato, a população deveria ter acesso às informações sobre os recursos que deixam de ser arrecadados.
“É esse o critério. Por exemplo, tem incentivos importantíssimos no sul de Minas, que geram milhares de empregos. No Triângulo, a mesma coisa. No norte também tem. Agora, nós temos que fazer conta. Por que isso está escondido?”
Saúde e humanização do atendimento
A saúde foi apresentada por Kalil como a prioridade número um de um eventual governo. Ao ser questionado sobre a primeira medida que adotaria na área, o candidato criticou o sistema de encaminhamento de pacientes entre diferentes regiões do Estado e defendeu a humanização do atendimento.
“Eu enfrentaria o CORE, que é aquele negócio que estão tirando pacientes de Montes Claros para operar em Varginha. Tira de Varginha para operar em Teófilo Otoni. Tira de Teófilo Otoni para operar em Uberlândia. Porque o sistema é feito por inteligência artificial, quer dizer, a burrice artificial. Então, a primeira coisa que vai ser terminada no dia primeiro é esse sistema completamente imbecil de tentar levar quem é pobre e não tem condição nenhuma e necessita do SUS mais perto, porque precisa do acompanhamento da mãe, do pai, da família. Tiraram como se aquilo fosse um bicho que se podia tirar sozinho e jogar em um lugar estranho para fazer uma cirurgia e ficar lá abandonado e sozinho. É isso que eu te falo. Nós temos que humanizar esse governo. Nós temos que saber que nós estamos mexendo com gente.”
Educação e formação profissional
Na educação, Kalil defendeu mudanças no modelo de ensino em tempo integral. Segundo o candidato, os estudantes não deveriam permanecer durante todo o dia dentro da sala de aula e poderiam participar de atividades de formação profissional e aprendizagem.
“Você sabe que o meu plano é tirar o menino dos dois horários de dentro da sala de aula, né? Porque ninguém aguenta a escola integral ficar plantada dentro de sala de aula. Foi a professora Ângela que fez esse plano, inclusive, Ângela, que é da UFMG.”
O candidato afirmou que pretende regionalizar a proposta em parceria com universidades e empresas locais, utilizando como referência programas de aprendizagem existentes em Belo Horizonte.
“Nós vamos regionalizar essa parte, junto com as universidades locais, porque nós temos muitas escolas federais, e, junto com as empresas locais, nós vamos fazer o que nós já temos aqui em Belo Horizonte, que é Assprom, que é o menor aprendiz, ainda vai levar um dinheiro para casa, dependendo da idade. Então, o que nós queremos fazer é isso, é colocar o garoto ocupado o dia inteiro, mas não plantado numa sala de aula o dia inteiro, porque aí ninguém aguenta.”
Segurança pública
Na segurança pública, Kalil afirmou que a primeira medida de seu eventual governo seria garantir recursos básicos para o funcionamento das forças policiais. O candidato citou o abastecimento das viaturas e a manutenção das unidades policiais como prioridades.
“Por gasolina nos carros da polícia. Porque quem está ouvindo aí no interior sabe perfeitamente que quem limpa, quem dá imóvel para a polícia, quem limpa as delegacias e os pelotões, que abastece os carros da polícia, são as prefeituras. Então, o primeiro ato é: nós vamos abastecer toda a polícia e vamos cuidar dos batalhões e das delegacias.”
Kalil também mencionou a implantação gradual de tecnologias de monitoramento, incluindo câmeras corporais e uma estrutura chamada por ele de “Muralha Digital de Minas Gerais”. Segundo o candidato, a adoção dessas tecnologias precisaria ocorrer de forma gradual, acompanhada de medidas para recuperar a estrutura das polícias Civil e Militar.
“Tudo isso é gradual, porque a polícia está tão desmoralizada e tão acabada que nós vamos ter que perder muito tempo para voltar à polícia do que ela era há dez anos atrás. Nós não estamos avançando. Temos um plano, mas ele vai começar a nos fazer voltar à dignidade da polícia civil e militar de dez anos atrás.”
Mineração e agregação de valor
Na área econômica, Kalil defendeu que Minas Gerais agregue mais valor aos produtos minerais antes que eles deixem o Estado. O candidato citou o nióbio como exemplo e afirmou que pretende estimular a instalação de indústrias relacionadas à transformação dos minerais.
“Nós temos o caso das terras raras lá em Araxá. Nós não podemos entregar o nióbio em pó. E eles ainda não cobram o nióbio. Ainda tem uma máfia lá que vende como policloro. Isso aí não vai interessar para a população, mas, em vez de sair o pó, vai sair o chip. É assim que nós queremos fazer. Nós vamos incentivar que a fábrica do chip venha para um lugar que já tenha mineração lá dentro. Isso é agregar valor.”
Kalil também criticou a diferença que, segundo ele, existe na tributação entre consumidores e grandes empresas importadoras de minério.
“E é outra briga enorme que eu nunca admiti: não pagar imposto nenhum. Você paga lá sua conta da sua casa de luz, 18% de ICMS. A dona Maria lá vai pagar a conta de luz dela. Ela paga 18% de ICMS. O grande importador chinês de minério não paga nada. Paga zero. Então nós temos que acertar essa conta. Não pode ficar igual tá.”
Desenvolvimento regional e municípios
Questionado sobre como lidar com municípios que dependem da mineração, Kalil afirmou que algumas cidades já estariam se preparando para o eventual esgotamento das reservas. O candidato defendeu que a atividade mineral deixe um retorno maior para os municípios.
“Estão se preparando. Eu estou te dando a entrevista aqui. Estou indo agora à tarde pela segunda vez à Itabira. Que há uma perspectiva de esgotamento. Estão se preparando. Agora não pode é tirar com escavadeira o minério e entregar uma colherzinha de 3,5% de imposto para o município. Isso é que não pode. Então vão acabar com os municípios, escavar os municípios inteiros e ir embora. É isso que não pode.”
Kalil também defendeu uma relação mais próxima entre o governo estadual e os prefeitos. Para ele, os gestores municipais deveriam ter acesso direto ao governador para apresentar demandas das cidades.
“Olha, eu recebia todos os vereadores quando eu era prefeito. Por quê? Por uma questão de inteligência. O prefeito é o olho do governador. É impossível, é mentiroso [dizer] ‘Ah, nós vamos regionalizar’. Piorou, porque aí você já tem dois para conversar: o regional e o prefeito. Não, o prefeito tem que ser atendido. O governador tem que ter uma agenda diária de atendimento a prefeitos.”
Relação com o governo federal
Ao tratar da relação com o governo federal, Kalil defendeu que o governador mantenha diálogo com Brasília, independentemente de alinhamento político. O candidato afirmou que não pretende condicionar a relação do Estado ao partido que estiver no comando do país.
“Então, nós temos que ir lá em Brasília para conversar, para melhorar a vida de quem mora na cidade, coisa que a gente nunca fez, porque eles são inimigos, eles se xingam, eles se agridem. Então, eles não conseguem. É por isso que nós não temos lado. Não me interessa se vai ser Flávio Bolsonaro, não me interessa se vai ser o Lula. Quem for, vai ter que ter um olhar humano e carinhoso com o nosso Estado.”
Kalil também falou sobre sua aproximação política com o senador Aécio Neves e afirmou que a experiência do parlamentar poderia contribuir para uma eventual gestão estadual.
Relação com a radiodifusão
Durante a entrevista, realizada na Associação Mineira de Rádio e Televisão (AMIRT), Kalil também foi questionado sobre a relação de um eventual governo com as emissoras de rádio e televisão e sobre o uso da radiodifusão em campanhas de interesse público.
O candidato afirmou que, durante sua passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte, manteve uma relação positiva com os veículos de comunicação e defendeu a independência da imprensa em relação aos governantes.
“Eu fui prefeito, tive uma relação ótima aqui com a AMIRT, tive uma ótima relação com todas as rádios. Eu acho que existe uma frase que foi falada na Suprema Corte Americana, que: ‘A imprensa não é feita para os governantes, e sim para os governados’. Então, eu resumo a minha relação com a imprensa assim.”
Experiência e candidatura ao governo de Minas
Ao final da entrevista, Kalil afirmou que seu principal compromisso é com a gestão e com a entrega de serviços à população. O candidato citou ações realizadas durante sua administração em Belo Horizonte como exemplos da experiência que pretende levar para o governo estadual.
“Eu não me acho o bom geral; meu compromisso é a verdade. Meu compromisso é enxugar essa máquina indecente, entregar por ser aí do interior, na ponta, para melhorar a sua saúde, melhorar a sua estrada, melhorar a sua escola, melhorar a qualificação de seus professores, melhorar a sua polícia. É isso que eu acho que eu tenho capacidade. Por que fiz isso. Eu construí dois postos de saúde a cada dois meses de governo, eu fiz 500 quilômetros de asfalto (…) eu cuidei muito da minha gente, agora eu quero levar esse cuidado para todo o povo de Minas Gerais.”
Minas em Pauta | Especial Eleições 2026
O episódio com Alexandre Kalil é o quarto da série especial Minas em Pauta | Eleições 2026, que entrevistará candidatos ao Governo de Minas e ao Senado com maior intenção de voto nas pesquisas eleitorais, apresentando suas propostas e posicionamentos sobre temas de interesse do Estado.
Confira a entrevista completa em videocast:
Confira a entrevista completa em áudio:





