Candidatos ao governo de Minas: Luiz Eduardo Falcão (vice) e Cleitinho Azevedo; apresentadora Hannah Andrade e presidente da AMIRT, Mayrinck Junior, respectivamente. Foto: Sulen Rodrigues/AMIRT
Entrevista em vídeo e áudio no fim da página.
O Minas em Pauta dá continuidade à edição especial Eleições 2026 com Cleitinho Azevedo e Luiz Eduardo Falcão, candidatos ao governo de Minas pelo Republicanos. Durante o programa, foram discutidas propostas para áreas como saúde, segurança e administração pública, desenvolvimento regional e relação com os municípios e com o governo federal.
Ao falar sobre a experiência no Senado e a candidatura ao Executivo estadual, Cleitinho Azevedo afirmou que pretende levar para o governo de Minas a atuação na fiscalização que desenvolveu no Legislativo. Segundo o candidato, a proposta de gestão da chapa parte da descentralização das decisões e da presença do governo nas diferentes regiões do Estado.
“O mais importante das pessoas entenderem é que a função do senador é essa mesma: fiscalizar e legislar. Então, passei quase quatro anos lá, fiscalizando, denunciando, rodando o Estado de Minas Gerais, vendo o que o Estado de Minas necessita e precisa, e é isso que eu vou fazer como governador: executar os problemas de Minas Gerais que ainda não foram resolvidos. Eu e o Falcão estamos para poder fazer essa gestão de fora para dentro, cuidar do interior para a gente poder fazer política pública para todo o Estado de Minas Gerais.”
Relação com os municípios
A descentralização da administração estadual foi apresentada pelos candidatos no plano de governo. Cleitinho defendeu a presença das secretarias nas diferentes regiões de Minas e afirmou que as políticas públicas devem considerar as particularidades de cada território.
“Descentralizar é o primeiro passo que a gente vai fazer: (…) poder colocar cada secretaria nessas regiões. A gente atendeu o Vale do Jequitinhonha, o Norte de Minas; como você mesma disse, cada região tem uma realidade. Então, a gente está presente, o secretariado está presente, eu e o Falcão estamos presentes em cada região que a gente conhece. Cada região, como eu disse para você, tem uma realidade, tem um problema.”
Luiz Eduardo Falcão defendeu que o governador também possa trabalhar diretamente a partir de diferentes regiões do Estado, com agendas voltadas à escuta de prefeitos, vereadores e moradores.
“É bom ressaltar também que a gente não trabalha só na cidade administrativa, um governador, um vice e o time dele. Pode despachar de qualquer lugar, gente. O governo tem órgãos do governo lá em Uberlândia, tem lá em Divinópolis, tem lá em Teófilo Otoni, tem lá em Lavras, em Pouso Alegre. Você pode despachar de lá. Você pode passar lá 2, 3 dias ouvindo as lideranças ali, os prefeitos, os vereadores, a população, atendendo o povo naquele local.”
Segundo Falcão, a presença do governo no interior permitiria identificar demandas específicas de cada região, como filas de cirurgias e problemas em trechos de rodovias.
“Nós é que temos que ir até elas, não só o governador, mas levar os serviços. A primeira coisa é o governador estar mais presente e descentralizar, como a gente falou, as suas agendas. Estar rodando o estado todo, não só na época da eleição, mas estar rodando o tempo todo para entender que ali existe uma fila de cirurgia de fêmur, de quadril. Opa, então pera aí, vamos fazer um esforço concentrado aqui, um mutirão aqui.”
Dívida de Minas
Sobre a dívida de Minas Gerais, Cleitinho defendeu uma negociação com o governo federal e afirmou que pretende buscar uma destinação dos recursos pagos pelo Estado para investimentos em áreas como infraestrutura.
O candidato afirmou que o acordo deveria ocorrer independentemente de quem ocupasse a Presidência da República.
“O primeiro passo que a gente quer fazer é essa negociação da dívida e explicar isso para a população. Hoje pode chegar a pagar R$ 100 milhões por mês dessa dívida o governo estadual. Teve o Propag, que era o maior necessário, foi feito, mas não foi suficiente, e isso a gente deixa muito de fazer política pública com esse débito que tem com a União. Então, o primeiro passo é diálogo, independentemente de quem seja o presidente que ganhar.”
Cleitinho também afirmou que uma parcela dos valores pagos mensalmente poderia retornar ao Estado na forma de investimentos, citando as estradas como exemplo.
“Olha, o Estado vai deixar de pegar R$ 6 bilhões para investir dentro do Estado. Então, a gente quer que essa porcentagem, uma parcela dessa prestação que a gente paga, o governo possa voltar para o Estado.”
Reforma administrativa
Na administração pública, Cleitinho afirmou que pretende avaliar a necessidade dos cargos existentes na estrutura estadual e citou empresas estatais como exemplo de estruturas que deveriam passar por análise.
O candidato também criticou o uso de cargos públicos para acordos políticos e defendeu a escolha de profissionais com base em qualificação.
“Claro que a gente precisa ter governabilidade, a gente precisa conversar com todos os partidos para a gente poder governar. Mas, desde que traga currículo, desde que aquele cargo que precisa ali, que tem que estar ali na superintendência ou na própria CEMIG, a gente vai ver o currículo, traga o currículo.”
Falcão afirmou que a revisão de despesas deve considerar o interesse público e citou a possibilidade de redução de cargos que, segundo ele, seriam desnecessários.
“O que a gente vai fazer é observar sempre. Cleitinho e eu falamos disso todos os dias: interesse público. Tem interesse público nisso aqui? Isso aqui é uma coisa que a população gostaria disso aqui? Ou isso aqui é uma coisa que está fazendo escondido, que tem que ter sigilo?”
Incentivos fiscais
A revisão dos incentivos fiscais também foi apresentada como uma das medidas previstas pela chapa. Falcão afirmou que os benefícios deveriam ser analisados individualmente e que os critérios de contrapartida precisariam ser claros.
“A gente não está aqui para dizer que vai acabar com todas as isenções fiscais, mas que vai ser revisto, uma a uma, sim. Isso a gente tem certeza.”
Cleitinho afirmou que empresas que não apresentarem as contrapartidas esperadas não deveriam continuar recebendo os benefícios.
“Transparência, primeiro é tirar de sigilo e analisar, empresa por empresa, que realmente está dando a contrapartida para o Estado, que realmente está gerando emprego, está fazendo o dever que a lei manda fazer. Agora, se não tiver, tem que pagar como qualquer um: pequeno microempreendedor, um empresário que tem uma empresa, que tem cinco funcionários, que paga seus impostos.”
Questionado sobre o que aconteceria com empresas que não apresentassem os resultados esperados, o candidato resumiu a proposta:
“Vou resumir para você. Se ela não apresentar, ela não vai ter isenção. Simples.”
Saúde
Na saúde, os candidatos defenderam a regionalização dos serviços e a ampliação da participação dos governos federal, estadual e municipal no financiamento do setor.
Cleitinho afirmou que o funcionamento dos hospitais regionais dependeria de parcerias entre as diferentes esferas de governo.
“Não tem jeito de você fazer saúde sem o governo federal, sem parcerias, inclusive com o município e com consórcio. Não tem jeito, tem que fazer. A saúde, ela é tripartite.”
Falcão também defendeu a descentralização do atendimento médico para evitar que pacientes do interior precisem viajar longas distâncias em busca de tratamento.
“Não dá para você pegar uma pessoa que está a 600 quilômetros de Belo Horizonte e falar: ‘Não, entra dentro de uma van aqui e vai, como a gente fala no interior, ‘batendo carroceria’ até Belo Horizonte’.’ As pessoas, às vezes, com uma cirurgia, são deixadas aqui na praça (…) recebem aí R$ 16 por dia, custa fazer um lanche, não tem lugar para te ficar direito.”
Falcão também citou sua experiência à frente da Prefeitura de Patos de Minas ao defender a ampliação dos serviços de saúde no interior.
Segurança pública
Na segurança pública, Cleitinho defendeu o uso de tecnologia e inteligência para ampliar o monitoramento das cidades e combater a atuação de criminosos e facções.
“O que a gente quer fazer aqui é usar a inteligência artificial, investir em câmeras inteligentes em todas as cidades de Minas Gerais. Eu até falo que a gente vai fazer da criminalidade, da bandidagem, um verdadeiro Big Brother. Eles serão monitorados.”
Falcão defendeu a integração das forças de segurança e a utilização conjunta de sistemas de videomonitoramento e policiais.
“A polícia tem que estar integrada com o monitoramento. Em Patos de Minas, a gente fez isso, claro, numa realidade muito menor. Mas lá tinha o Olho Vivo.”
O candidato também mencionou a violência na zona rural e defendeu investimentos em segurança para moradores e produtores dessas regiões.
Além disso, Falcão destacou a necessidade de políticas específicas de enfrentamento à violência contra a mulher. Segundo ele, a atuação deveria envolver segurança, conscientização, atendimento psicológico e apoio para a inserção no mercado de trabalho.
“A gente precisa de política pública firme para isso. Não adianta só emitir nota, lamentando depois, manifestando. A gente precisa fazer uma conscientização.”
Experiência de gestão e disputa pelo governo
Questionado sobre a diferença entre a candidatura de Cleitinho e a de Flávio Roscoe, também candidato ao governo de Minas, Cleitinho destacou sua trajetória política e a experiência de Falcão na administração municipal.
O candidato afirmou que pretende formar uma equipe técnica e chegou a mencionar a possibilidade de convidar Roscoe para integrar uma eventual gestão.
“Um líder político toma decisões políticas. [Ele] tem que ter, ao seu redor, um secretariado técnico e competente. Inclusive, se eu tiver a humildade de ganhar essa eleição, eu vou fazer um convite para ele para virar um secretário, porque eu tenho toda a humildade de pedir a ele para virar secretário, para juntar essa força que ele tem também, que eu acho que pode ajudar muita gente.”
Papel da radiodifusão
Por ser uma entrevista realizada na Associação Mineira de Rádio e Televisão (AMIRT), os candidatos também foram questionados sobre a relação de um eventual governo com as emissoras de rádio e televisão, especialmente no interior.
Cleitinho afirmou que pretende manter uma relação de parceria e diálogo com o setor.
“Eu acho que nosso governo vai ser parceiro. Nosso governo vai ser um governo de diálogo e parceiro de vocês. A gente sabe que a gente precisa dessa comunicação.”
Falcão destacou o papel da imprensa na divulgação de informações de interesse público e citou campanhas de vacinação, educação e conscientização como exemplos.
“Não adianta realizar sem comunicar. Eu fui prefeito [por] dois mandatos. Eu falava com a minha equipe todos os dias. Gente, se nós não comunicarmos, não fizemos. A população não vai saber.”
O candidato também afirmou que pretende manter uma relação democrática com os veículos de comunicação e destacou a importância das emissoras locais para as diferentes regiões do Estado.
“A gente vai lidar com a imprensa, se Deus quiser, de forma muito democrática, abrangente, entendendo a importância da rádio lá na pequena cidade, da televisão naquela determinada região.”
Experiência e propostas para Minas
Ao final da entrevista, Cleitinho afirmou que pretende priorizar a redução de custos, a revisão de impostos e investimentos em infraestrutura. O candidato citou ainda parcerias com a iniciativa privada como uma possibilidade para ampliar os investimentos em rodovias.
“O primeiro passo é combater a injustiça. A gente vê aqui que a gente paga o IPVA mais caro do Brasil, mas tem as piores estradas do Brasil. Então, o que eu quero fazer aqui é poder reduzir esse IPVA, fazer uma alíquota mais justa, poder pegar o dinheiro do povo e devolver para o povo nas infraestruturas, fazer parceria privada: se o Estado hoje não tem condição, não tem orçamento para poder cuidar de todas as estradas de Minas Gerais, eu buscar empresário, eu buscar essa parceria por privada.”
O candidato também afirmou que pretende priorizar a aplicação dos recursos públicos nos serviços oferecidos à população.
“As minhas mãos são limpas. O que eu vou fazer lá, gente, é pegar o dinheiro que vocês pagam imposto, esse orçamento que tem, e devolver novamente para vocês de uma forma justa, igualitária, que chegue a todos.”
Falcão, por sua vez, defendeu uma postura de gestão voltada para o futuro e afirmou que a candidatura não pretende concentrar sua atuação em disputas políticas.
“Nós não queremos brigar com ninguém, atacar ninguém. Nós queremos olhar para frente. Minas Gerais, para frente.”
Minas em Pauta | Especial Eleições 2026
O episódio com Cleitinho Azevedo e Luiz Eduardo Falcão é o quinto da série especial Minas em Pauta | Eleições 2026, que entrevista candidatos ao Governo de Minas e ao Senado com maior intenção de voto nas pesquisas eleitorais, apresentando suas propostas e posicionamentos sobre temas de interesse do Estado.
Confira a entrevista completa em videocast:
Confira a entrevista completa em áudio:





