Da esquerda para a direita: presidente da AMIRT, Mayrinck Junior; candidata ao Senado por Minas, Marília Campos (PT) e apresentadora Hannah Andrade.
Entrevista em vídeo e áudio no fim da página.
O Minas em Pauta | Especial Eleições 2026 recebeu Marília Campos, candidata ao Senado por Minas Gerais pelo PT. Durante a entrevista, ela falou sobre o papel do Senado, a relação com os municípios, a dívida de Minas Gerais com a União, segurança pública, mineração e participação das mulheres na política.
Senado e municípios
Ao falar sobre a diferença entre os cargos do Executivo e do Legislativo, Marília Campos destacou que o Senado tem, entre suas funções, a articulação entre municípios, estados e União. Para ela, a atuação como senadora exigiria uma visão mais ampla das demandas de Minas Gerais.
“O papel do executivo é primeiro fazer a gestão do poder executivo, então cuidar de fazer uma boa gestão para que o executivo tenha condição de fazer investimento. E o executivo realiza, executa, faz obras, implementa as políticas públicas. O papel do legislativo é muito um papel de elaborar legislações, de fiscalização do executivo e de fazer articulação política entre os entes. Isso é uma tarefa muito, inclusive, do Senado, porque, como o Senado tem uma representação de Estado, então são três senadores ou senadoras por cada Estado, ele tem muita função de ser um articulador entre município, Estado e União.”
Na avaliação da candidata, a experiência como prefeita também seria levada para a atuação no Senado, especialmente na discussão de políticas voltadas aos municípios. Entre as primeiras iniciativas que pretende discutir, Marília citou uma revisão dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Segundo ela, a proposta seria construída em diálogo com entidades municipalistas.
“Eu já estou discutindo com as associações municipalistas. Nós temos a AMM, que é a Associação Mineira dos Municípios, porque nós temos 853 municípios em Minas Gerais. 483 municípios têm menos de 10 mil habitantes.”
A candidata afirmou que parte dos municípios mineiros enfrenta limitações financeiras para realizar investimentos e desenvolver políticas públicas.
“São municípios que sobrevivem ou administram as suas cidades basicamente com recursos do Fundo de Participação dos Municípios, o que é muito pouco. Mal, mal o prefeito dá conta de pagar a folha de pagamento e cuidar das obrigações diárias. Então, não sobram recursos para fazer investimentos e desenvolver as suas cidades.”
Nesse contexto, Marília apresentou a revisão do FPM como sua primeira iniciativa no Senado.
“E meu compromisso, então, é conversar com os municípios e já discutir isso com a AMM para que a gente faça uma intervenção no Senado para reanalisar o repasse que vai do Fundo de Participação dos Municípios, que hoje é 0,6 para municípios de 2 mil habitantes e também para aqueles que têm 10 mil habitantes. Então, tem um distanciamento muito grande e é preciso promover uma revisão, só que essa revisão tem que ser feita com debate, com articulação política, com executivo, e é isso que eu pretendo fazer. A minha primeira iniciativa será essa, porque a gente discute a situação das cidades, a gente discute a situação do Estado.”
Dívida de Minas Gerais
A dívida de Minas Gerais com a União também foi abordada durante a entrevista. Marília defendeu a adoção de medidas adicionais ao Propag para aliviar a situação financeira do Estado.
A candidata relacionou a questão da dívida à participação de Minas Gerais na economia nacional e afirmou que o Estado deveria receber mais recursos para investimentos.
“Essa dívida é um absurdo. Minas Gerais dá uma grande contribuição. Carrega o Brasil nas costas.”
Na sequência, Marília citou a participação de Minas Gerais nas exportações e relacionou o tema à legislação que trata da tributação de produtos destinados à exportação.
“40% desse superávit é fruto, vem de Minas Gerais, porque Minas Gerais é um estado exportador, seja do minério de ferro, seja de grãos. Então, 40% dessa balança comercial, Minas é que dá essa contribuição. Mas, ao mesmo tempo que a gente dá essa contribuição, a gente tem um ônus muito grande, porque aquilo que nós exportamos, de acordo com a lei Kandir, não paga impostos.”
Para a candidata, a situação teria impacto na capacidade de investimento do Estado.
“Então, Minas não recebe nenhum tostão de recursos para fazer os investimentos. Então, eu diria que essa dívida da União, nós temos que reivindicar o abatimento desse total da dívida, que hoje está em US$ 213 bilhões, o que vai significar, no ano que vem, um aporte anual em torno de US$ 12 bilhões.”
Marília defendeu que a discussão sobre a dívida esteja relacionada à ampliação de investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
“Quer dizer, o estado que faz esse aporte de US$ 12 bilhões não tem recursos para investir na segurança, para investir nas estradas, para investir nas vias que ligam as cidades às áreas rurais, para investir na saúde.”
Segurança pública
Na área de segurança pública, Marília Campos afirmou que sua prioridade seria a aprovação da PEC da Segurança Pública, que, segundo ela, poderia ampliar a integração entre as diferentes forças de segurança.
“Então, você tem a União, que tem a Polícia Federal; você tem o Estado, que tem a Polícia Militar e tem a Polícia Civil. Você tem os municípios, que muitos deles têm a Guarda Municipal. Qual é a integração que existe? Qual é a articulação que existe? Qual é a tecnologia que existe de forma integrada para permitir que a gente não só implemente uma estratégia unificada, como execute essa estratégia de forma unificada?”
Para ela, a integração também deveria envolver mecanismos de financiamento.
“Então, a primeira iniciativa, se não for aprovada agora, esse projeto que tramita no Senado, que é a PEC da segurança pública, é aprovar. Porque isso vai permitir a integração e a constituição de fundo, um fundo estadual de forma compartilhada, em que o Senado, inclusive, senador, senadora, poderá colocar recursos na segurança pública e garantir mais tranquilidade para os cidadãos e também para a atividade econômica.”
Mineração e desenvolvimento econômico
A mineração foi outro tema abordado na entrevista. Marília defendeu que Minas Gerais e o Brasil ampliem o beneficiamento das riquezas produzidas no território nacional.
Para a candidata, a exportação de produtos em estado bruto limita o aproveitamento econômico dessas riquezas.
“A questão hoje da nossa riqueza, ela tem ajudado a financiar desenvolvimento, mas não o nosso, de outros países, como, por exemplo, da China. Por quê? Porque a política de extração dos minérios hoje, por exemplo, ele é feito, extrai o minério, deixa a cava nas cidades e exporta o produto bruto. Então, nós temos que beneficiar a nossa riqueza.”
A mesma lógica, segundo ela, poderia ser aplicada a outros setores da economia, como a produção agrícola.
“Por exemplo, a plantação de café, que nós temos que beneficiar, você sabe que na Alemanha, por exemplo, não planta um pé de café, mas é o maior exportador de café. E nós plantamos muito café, mas nós não temos o beneficiamento do café.”
A candidata também defendeu investimentos em tecnologia relacionados aos chamados minerais críticos.
Ela concluiu o tema defendendo que a exploração dos recursos naturais esteja associada ao desenvolvimento nacional e estadual.
“Então, eu diria que foi aprovada essa legislação. Eu assinei com a AMIG, que é a Associação dos Municípios Mineradores, um documento me comprometendo a representar os municípios mineradores, mas esse debate tem que continuar para que a gente, volto a repetir, que as nossas riquezas financiem o desenvolvimento do nosso país e também do nosso Estado.”
Mulheres na política
A participação feminina na política também esteve entre os temas discutidos. Marília relacionou a menor presença de mulheres nos espaços de poder à sobrecarga de responsabilidades familiares e domésticas. Segundo a candidata, a entrada na política não elimina essas responsabilidades, o que acrescentaria uma carga à rotina das mulheres que ocupam funções públicas.
“E, quando a gente assume uma função pública, a gente não deixa a nossa agenda de lado, a gente não deixa de ir à escola do filho, a gente não deixa de levar o filho ao médico para vacinar ou para uma consulta, a gente não deixa de cuidar da mãe da gente ou de botar a roupa para lavar ou de cozinhar; eu faço tudo isso. Então, a gente tem uma sobrecarga.”
Marília também afirmou que o ambiente político ainda é predominantemente masculino e defendeu a ampliação da presença de mulheres em diferentes cargos eletivos.
“E a mulher tem isso, né? Como ela vive mais a cidade, ela vive mais as coisas da vida real, ela tem uma sensibilidade e a prioridade dela sempre é diferente das do homem. Então, eu diria que para nós é mais difícil entrar, é mais difícil atuar, mas diria também que, quando a gente entra, a gente faz a diferença porque a gente transforma, a gente transforma realidades e a gente também estimula que mais mulheres entrem para a política para mudar esse cenário que a gente tem.”
Ao falar especificamente sobre o Senado, a candidata destacou a participação feminina na representação de Minas Gerais.
“Olha, você sabe que o Senado, em 202 anos de Senado, Minas Gerais elegeu apenas uma única mulher, que foi a Júnia Marise. Nós precisamos de mais mulheres no Senado e, felizmente, hoje, a nossa chapa, por exemplo, tem duas mulheres, eu e Áurea Carolina, que somos as candidatas.”
Na avaliação de Marília, a ampliação da representação feminina deve considerar também a diversidade da sociedade.
“Então, eu diria que mais mulheres no Senado, mais mulheres na Câmara, mais mulheres na Assembleia Legislativa, governadoras, tudo isso é muito importante para fortalecer o projeto democrático. Não tem democracia se a gente tiver toda essa insuficiente participação de mulheres, de mulheres negras, de mulheres periféricas. Nós precisamos contemplar a diversidade que nós temos, do ponto de vista da sociedade, na política também.”
Minas em Pauta | Especial Eleições 2026
O episódio com Marília Campos é parte do especial Minas em Pauta | Eleições 2026, que entrevista candidatos ao Governo de Minas e ao Senado que aparecem entre os nomes com maior intenção de voto nas pesquisas eleitorais, apresentando suas propostas e posicionamentos sobre temas de interesse do Estado.
Confira a entrevista completa em videocast:
Confira a entrevista completa em áudio:




