Anatel inclui IA, nuvem e data centers em revisão de regra de cibersegurança

Foto: Matheus Mendes/Reprodução

A Anatel pretende incorporar inteligência artificial (IA), computação em nuvem e data centers à reavaliação de sua regulamentação de segurança cibernética. A revisão também considera novas vulnerabilidades nas diferentes camadas das redes de telecomunicações, segundo o conselheiro substituto Nilo Pasquali. As informações foram divulgadas pelo conselheiro nesta terça-feira, 11, durante a abertura do 6º Simpósio TelComp, em Brasília.

Segundo ele, a expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem, da Internet das Coisas (IoT) e de aplicações que exigem processamento e troca de dados em larga escala aumenta a importância da segurança das infraestruturas de telecomunicações.

O conselheiro lembrou que a Anatel aprovou, em 2020, o Regulamento de Segurança Cibernética Aplicada ao Setor de Telecomunicações, que estabeleceu diretrizes para gestão de riscos, tratamento de incidentes e proteção das infraestruturas críticas do setor.

Agora, segundo Pasquali, o regulamento passa por uma reavaliação destinada a incorporar novas tecnologias e pontos de criticidade.

Entre os temas citados estão “as aplicações maliciosas de soluções de inteligência artificial”, além de novas vulnerabilidades nas diferentes camadas das redes e aspectos normativos relacionados à prestação de serviços de cloud computing e data centers associados ao setor de telecomunicações.

Segurança de equipamentos
A Anatel também trabalha na definição de requisitos de segurança cibernética para equipamentos de telecomunicações. De acordo com Pasquali, as medidas abrangem desde dispositivos conectados à internet até componentes essenciais das redes.

O objetivo, afirmou, é reduzir vulnerabilidades, estimular mecanismos seguros para atualização de software e ampliar a proteção dos usuários e das próprias infraestruturas de telecomunicações.

“A segurança precisa estar presente desde a concepção dos produtos e serviços e não ser tratada apenas depois que os problemas aparecem”, disse.

Pasquali relacionou a revisão regulatória à crescente dependência da economia em relação às redes. Segundo ele, uma interrupção relevante de telecomunicações pode afetar operações bancárias, cadeias logísticas, serviços digitais, atividades empresariais e serviços essenciais à população.

Competição e investimentos
O conselheiro também colocou a segurança cibernética dentro de uma agenda mais ampla de competitividade e investimento. Segundo ele, a infraestrutura digital tornou-se um fator considerado pelas empresas na definição de onde investir, enquanto governos dependem de redes para ampliar serviços digitais e aplicações de inteligência artificial exigem maior capacidade, disponibilidade e segurança.

Nesse cenário, Pasquali defendeu que a atuação regulatória combine estímulo à inovação e à competição, expansão da infraestrutura, segurança e resiliência das redes.

Segundo ele, a Anatel busca uma regulação capaz de acompanhar as transformações tecnológicas, proteger usuários e, simultaneamente, criar condições para investimentos e novos modelos de negócio.

*Fonte: Tele.Síntese