Imagem: Gerada por IA/Gemini
O leitor do tudoradio.com deve ter notado que o assunto “rádio nos carros” ganhou um certo protagonismo nas páginas do portal, nos textos de articulistas (como este aqui, que vos escreve) e nos eventos do setor de radiodifusão. E isso é ótimo. Existe uma revolução tecnológica a caminho no ambiente automotivo. Não são apenas telas maiores: os carros estão virando computadores inteligentes ambulantes, com mais opções de mídia e serviços embutidos em suas centrais multimídia. Isso em um ambiente importante para as emissoras de rádio e que o setor costuma dominar com facilidade. Você ler mais movimentos e discussões sobre o tema significa que o rádio está deixando uma posição de passividade sobre esse ambiente. Isso é fundamental. Mas não é tudo o que precisamos fazer. Por isso estamos martelando a história do “Rádio 3.0”.
Se importar e se integrar ao mundo do rádio híbrido é importante. É algo ainda muito incipiente no Brasil, mas que tende a ganhar forte tração se todo o planejamento dos atores envolvidos tiver êxito (plataformas, montadoras e o próprio setor de radiodifusão). Então, é fundamental que as emissoras se apressem para conhecer essa tecnologia e integrem suas respectivas estações a esse ecossistema. Porém, ele não é tudo: a gama de receptores automotivos é ampla, passa por transformações até por questões econômicas, e nós precisamos acompanhar tudo cada vez mais de perto, abrindo diálogo principalmente com as montadoras.
O leitor mais atento deve se lembrar do caso da Volkswagen brasileira, que deixou a experiência de rádio mais limitada. E, se olhar com atenção ao seu redor, verá que existem carros com multimídias de rádio incríveis e outras bem limitadas, algo que não acontece com plataformas digitais. E isso acontece por vários motivos: desatenção do setor automotivo com o rádio, economia em componentes para a composição de preços dos veículos, estratégias de marketing, acordos entre plataformas etc. Defender a melhor presença do rádio nesses ambientes é importante para os três agentes envolvidos: o rádio, que se beneficia ao manter a audiência dentro dos carros; a indústria automotiva, que ajuda a preservar uma mídia fundamental na estratégia de vendas; e os ouvintes, que querem o rádio presente como uma opção fácil e com qualidade.
Tudo isso que eu falo, principalmente sobre os interesses dos três agentes (rádio, montadoras e ouvintes), é baseado em pesquisas recentes. E é um ganha-ganha para todos. Mas, para que esse sistema funcione, o rádio precisa urgentemente conversar com os outros dois agentes, principalmente as montadoras. Acompanhar de perto o que acontece com um receptor de rádio automotivo no Brasil, se ele muda de versão em relação ao que é praticado em outros países e, em caso positivo, o que muda, se é para melhor ou pior no caso do FM, a presença facilitada da opção rádio nesse ambiente com cada vez mais opções, a integração do rádio híbrido nos carros conectados que estão no mercado, etc.
No caso do uso de espelhamentos de smartphones nesses ambientes, nos famosos Android Auto e Apple CarPlay, existem notícias positivas no horizonte, com as duas big techs querendo integrar o rádio FM nesse espaço, o que seria ótimo para o setor. Mas, de novo, não dá para ser passivo e esperar pela novidade: já existe um consumo de mídia nesses ambientes no Brasil. E precisamos ocupar esses espaços. Nisso, aplicativos próprios das emissoras e agregadores, como o próprio APP Tudo Rádio, são fundamentais para posicionar o rádio ao lado de YouTube Music, Spotify, Deezer, etc. São esses apps conectados que hoje dividem espaço com telas usadas para Waze, Google Maps e afins.
E, voltando ao Rádio 3.0, que é o guarda-chuva para uma lógica de rádio multiplataforma, que surge a partir do áudio ao vivo como matriz de tudo, esse nome ganha força porque a audiência automotiva é importante, mas não é a nossa única fonte. Hoje, ela está fragmentada, com dial e streaming se complementando nas residências, no trabalho, por meio de smartphones, receptores embutidos em diferentes objetos, caixas de som inteligentes etc. Então, o leitor atento a tudo isso deverá observar que esse tipo de discussão da lógica multiplataforma trazida pelo Rádio 3.0 deve ganhar cada vez mais espaço, seja aqui nesta coluna, no tudoradio.com, nos eventos ou em qualquer outra mídia especializada que discuta o setor de rádio de forma séria e propositiva.
Daniel Starck – Jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com.

*Fonte: Tudo Rádio

