Vagas PJ já são maioria no setor de comunicação, diz estudo

Imagem: DC Studio/AdobeStock

A participação de vagas PJ no mercado brasileiro de comunicação avançou de 49% para 60%, entre 2021 e 2025, consolidando esse modelo como majoritário nas contratações de agências, produtoras, estúdios e times de marketing. Isso é o que revela o estudo “Retrato da Pejotização no Mercado de Comunicação”, realizado pela plataforma de recrutamento especializada em marketing e comunicação Trampos.

O levantamento também revela que, entre 2021 e 2025, no setor, as vagas PJ atraíram, em média, 64% mais candidatos do que vagas CLT, e concentraram 73% das contratações sêniores.

Ao longo do período, a pesquisa indica que a migração do CLT para o PJ caminhou em ritmo constante, sem períodos de retração, o que representa uma mudança estrutural.

Em nota, o CEO da Trampos, Tiago Yonamine, avalia ainda que houve uma mudança na natureza dessa decisão. Segundo ele, se em 2021 escolher entre uma vaga CLT e PJ passava pelo campo financeiro ou ideológico, em 2025, o modelo de contratação virou a primeira variável de atração do anúncio.

Quanto maior a senioridade, maior a pejotização
O levantamento mostra também que, quanto maior a senioridade dos profissionais, maior é a pejotização, visto que, entre os profissionais mais sêniores, 73% das vagas anunciadas são PJ, versus 65% nos cargos plenos e 40% nas vagas júnior. Esse último nível é o único em que a carteira assinada segue majoritária.

Ao analisar por áreas de atuação, o estudo indica que a média de 64% de atração pelo PJ se dilui. Áreas administrativa e financeira (+68%) e de tecnologia (+66%) atraem aproximadamente cinco vezes mais candidatos em vagas PJ do que o núcleo criativo.

No núcleo criativo, design (+13%) e marketing (+12%) ficam a um quinto da média geral de contratações PJ. E, na área de mídia, essa lógica se inverte, uma vez que as vagas CLT atraíram 14% mais candidatos. Essa área foi a única na qual a carteira assinada venceu.

O que explica a atratividade do PJ?
De acordo com o estudo, dois fatores explicam a preferência pelo modelo de contratação PJ. O primeiro é a remuneração bruta anunciada: em tecnologia, vagas PJ pagam, em média, 73% mais do que vagas CLT da mesma área. É também uma das áreas em que o modelo mais atrai candidatos.

O segundo é o formato de trabalho, visto que apenas 38% das vagas PJ são presenciais, contra 69% das vagas CLT. Na prática, 62% das vagas PJ oferecem algum formato flexível, exatamente o dobro do observado nas vagas com carteira assinada.

Apesar disso, os dados fazem um alerta para quem contrata: parte do que parece preferência por PJ é, na verdade, preferência por flexibilidade e por remuneração bruta mais alta. Neste sentido, o levantamento indica que uma vaga PJ anunciada com salário de CLT transfere o risco do modelo ao candidato sem oferecer o prêmio. E o mercado percebe esse risco na velocidade das candidaturas.

Metodologia
Para construir um retrato do avanço da pejotização no mercado de comunicação no Brasil, a Trampos analisou 36.597 vagas publicadas entre 2021 e 2025.

O estudo também levou em consideração um recorte adicional de comportamento sobre 8.876 vagas nos últimos 24 meses (atratividade, remuneração bruta anunciada e formato de trabalho) e dados públicos do IBGE sobre o mercado de trabalho brasileiro. Confira o estudo completo aqui.

*Fonte: Meio&Mensagem