SET Expo 2026 debate jornalismo agêntico e o impacto da IA na produção de notícias

Foto: SET Expo 2026

Agentes de inteligência artificial já monitoram notícias, transcrevem transmissões, sugerem pautas, adaptam conteúdos para diferentes plataformas e aceleram etapas da produção jornalística. Ainda assim, especialistas defendem que o julgamento editorial, a criatividade e a responsabilidade sobre o conteúdo permanecem nas mãos dos jornalistas. Esse foi um dos principais pontos debatidos no painel “Jornalismo Agêntico e a Nova Arquitetura da Produção de Notícias”, realizado na última quarta-feira (19), durante o Congresso SET Expo 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Moderado por Márcio Carneiro dos Santos, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial da SET, o debate reuniu Phil Petitpont, cofundador e CEO da Moments Lab; Thomas K. Pomerancblum, gerente-geral de Engenharia de Software do UOL; Adonias Melo, head da Plataforma de Mídias e Metadados da Globo; e Tuta Neto, CEO da Sampi e diretor de Novos Negócios da Jovem Pan.

Moments Lab mostra ganhos de escala com agentes de IA
Ao abrir as apresentações, Phil Petitpont apresentou o conceito de “fábrica de mídia agêntica”, na qual agentes de inteligência artificial atuam de forma encadeada sobre transmissões ao vivo e conteúdos de acervo. Segundo o executivo, a tecnologia compreende o material em vídeo, identifica momentos relevantes, cria diferentes versões para públicos distintos e prepara a distribuição em múltiplas plataformas, formatos e idiomas.

Petitpont afirmou que cerca de 80% do processo de transformação de uma história em conteúdo para redes sociais é composto por tarefas repetitivas, como localizar trechos, recortar vídeos, criar legendas e adaptar formatos. Segundo ele, ao transferir essas etapas para agentes de IA, as redações podem ampliar significativamente sua capacidade de produção. Um dos exemplos apresentados mostrou a evolução de cinco para aproximadamente cinquenta clipes produzidos por dia. Para o executivo, o ganho de escala deve ser visto também como oportunidade de ampliar audiência, engajamento e receita, mantendo a validação editorial nas mãos dos profissionais.

Jovem Pan aposta na redução do retrabalho
Tuta Neto apresentou a experiência da Jovem Pan na utilização da inteligência artificial para pesquisa de pautas, consultas a bases de informação, recuperação de acervo e reaproveitamento de conteúdos. Segundo ele, uma transmissão ao vivo pode ser rapidamente transcrita e convertida em matérias jornalísticas, postagens e outros formatos destinados às plataformas digitais.

Para o executivo, a tecnologia abre espaço para reduzir atividades repetitivas e direcionar os profissionais para tarefas mais estratégicas e criativas. “A tecnologia já mudou e agora eu acho que a gente precisa mudar”, afirmou.

UOL amplia uso de agentes em diferentes etapas da produção
Representando o UOL, Thomas K. Pomerancblum explicou que agentes de inteligência artificial já atuam em diferentes momentos da rotina jornalística. As ferramentas monitoram internet e redes sociais, acompanham transmissões ao vivo, geram transcrições, alertas, sugestões de pauta e rascunhos para as equipes.

Após a publicação das matérias, os sistemas também são utilizados para criar resumos, versões em áudio, legendas, recortes e tags. O executivo destacou que a empresa desenvolve uma camada mais avançada de orquestração desses agentes, capaz de utilizar memória e consultar diferentes bases de informação. Apesar da automação crescente, reforçou um princípio considerado essencial: “A direção e a última palavra são do jornalista.”

Arquitetura e metadados sustentam a transformação
Na apresentação da Globo, Adonias Melo destacou que o avanço da inteligência artificial depende também de uma arquitetura capaz de organizar conteúdo, metadados, identidade e contexto. Segundo ele, o processamento em tempo real permite que materiais sejam tratados enquanto ainda estão sendo produzidos, acelerando sua distribuição para diferentes plataformas.

Ao resumir essa relação entre tecnologia e jornalismo, o executivo apresentou um conceito que sintetizou o posicionamento do painel: “A IA propõe; a redação decide e valida.”

Embora tenham apresentado diferentes aplicações da inteligência artificial, os participantes convergiram para uma mesma conclusão: o jornalismo agêntico amplia velocidade, escala e reaproveitamento de conteúdo, enquanto a atuação humana permanece concentrada no julgamento editorial, na criatividade e na responsabilidade sobre a informação publicada.

*Fonte: Tudo Rádio