Da esquerda para a direita: o candidato Túlio Lopes; o presidente da AMIRT, Mayrinck Júnior; e a apresentadora Lívian Alves. Foto: Suelen Rodrigues/AMIRT
Entrevista em vídeo e áudio no fim da página.
O programa Minas em Pauta | Especial Eleições 2026 recebeu o professor Túlio Lopes, candidato ao governo de Minas Gerais pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Durante a entrevista, ele apresentou propostas para diferentes áreas da administração estadual, como saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento regional, ciência e tecnologia, além de comentar a dívida de Minas Gerais com a União, as renúncias fiscais e a participação popular na gestão pública.
Poder popular e participação social
Um dos conceitos apresentados por Túlio Lopes ao longo da entrevista foi o de “poder popular”. Segundo o candidato, a proposta parte da ideia de ampliar a participação da população na definição das políticas públicas, por meio de conselhos formados por representantes da sociedade civil, especialistas e entidades organizadas.
Ele defendeu uma estrutura de controle social organizado, na qual a população teria participação na definição dos rumos de diferentes áreas do governo.
“O que significa isso? Controle social organizado. Então não é um secretário, uma secretária de determinada pasta que irá definir os rumos da política pública do setor, por exemplo, da educação. Seria um conselho popular da educação, composto por sindicalistas, especialistas, intelectuais, diversos representantes da sociedade civil organizada, mas com esse recorte de classes sociais, garantindo uma participação efetiva da população na definição do poder.”
Para Túlio, a proposta também está relacionada à influência do poder econômico sobre as decisões políticas e sobre a utilização dos recursos públicos.
Dívida de Minas e renúncias fiscais
A dívida de Minas Gerais com a União também esteve entre os principais temas da entrevista. Túlio Lopes afirmou que acompanhou as discussões sobre o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e defendeu uma auditoria da dívida pública. Entre as medidas apresentadas estão o fim das renúncias fiscais, o aumento da arrecadação e a discussão sobre a Lei Kandir. O candidato também defendeu uma mudança no modelo de exploração mineral no estado.
“Nós defendemos uma auditoria completa, fim das renúncias fiscais, ampliar a arrecadação e uma discussão que nós temos que fazer com o Congresso Nacional e com o próximo presidente da República, que é a discussão relacionada à Lei Kandir, Minas Gerais não pode continuar perdendo.”
Segundo ele, a proposta também envolve um novo modelo para a mineração, com maior participação de Minas Gerais nos recursos provenientes da atividade.
“É um debate que todos os candidatos estão apresentando, a questão da dívida. O nosso diferencial é isso: nós queremos o fim das renúncias fiscais imediata, queremos a auditoria e queremos fazer um debate nacional. O minério tem que ser nosso, […] tem que ter um novo modelo de mineração. Um modelo pautado nos interesses do povo trabalhador mineiro, e não das grandes mineradoras, muitas delas associadas ao capital financeiro internacional. Os acionistas e os donos dessas grandes mineradoras nem são daqui, nem são do Brasil, nem são de Minas, têm outros interesses.”
Serviços públicos e empresas estatais
Na área econômica, Túlio defendeu uma política voltada ao fortalecimento dos serviços públicos e afirmou que o governo estadual deve atuar a partir dos interesses dos trabalhadores. O candidato também falou sobre empresas públicas do estado e defendeu a reversão de processos de privatização. Entre os exemplos citados durante a entrevista estão Cemig, Copasa e Gasmig.
Para ele, serviços como água e energia devem ser tratados como áreas estratégicas e não apenas como mercadorias. A defesa das empresas públicas foi apresentada em conjunto com a proposta de ampliar a participação popular na gestão.
Saúde e fortalecimento do SUS
Na saúde, Túlio Lopes defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e uma gestão pública dos hospitais estaduais. Entre as propostas mencionadas estão a conclusão dos hospitais regionais, o fortalecimento da Fhemig, a garantia de financiamento para o Hospital Risoleta Neves e a valorização dos profissionais da saúde. O candidato também defendeu a jornada de 30 horas semanais para servidores da área.
“Nós precisamos do SUS 100% estatal. Temos que evitar o subfinanciamento. O que acontece hoje? Nós tivemos recentemente no Risoleta Neves; o governo não garante os recursos necessários para o atendimento médico-hospitalar. Seja em Minas Gerais, seja em vários outros estados. Nós queremos o SUS 100% estatal.”
Túlio também destacou a necessidade de valorizar os profissionais que atuam na área.
“Nós queremos a gestão pública dos hospitais públicos, valorização dos servidores. Temos que cuidar daqueles que cuidam diretamente da saúde e têm salários péssimos.”
Educação e valorização dos profissionais
Na educação, o candidato defendeu o fortalecimento das universidades estaduais, a ampliação da assistência estudantil, investimentos em ciência e pesquisa e a valorização dos trabalhadores da educação. Túlio também falou sobre educação em tempo integral, educação popular e a participação da comunidade escolar na gestão das instituições de ensino e criticou o projeto de escola cívico-militares.
“Nós queremos uma escola unitária, uma pedagogia histórico-crítica, uma valorização dos trabalhadores e dos estudantes, a construção da gestão pública da escola pública, gestão escolar participativa, diferente do projeto atual do governo. Queremos um projeto mais avançado na educação, porque a educação pública é a diferença que promove a igualdade. A educação pública, vinculada à ciência, tecnologia, vinculada ao trabalho na perspectiva emancipatória, pode transformar o estado de Minas Gerais.”
Ele também relacionou educação, ciência e tecnologia e defendeu o cumprimento do Plano Estadual de Educação.
Ciência, tecnologia e pesquisa
A ciência e a tecnologia também foram apontadas pelo candidato como áreas estratégicas para o desenvolvimento de Minas Gerais. Túlio defendeu o fortalecimento de instituições de pesquisa e extensão e o aumento do financiamento científico.
Durante a entrevista, ele citou instituições como a Emater-MG, a FAPEMIG e a Fundação Ezequiel Dias, além das universidades estaduais e federais.
O candidato afirmou ainda que a produção científica deve estar relacionada às necessidades da população e defendeu pesquisas em áreas como saúde, história, arqueologia e desenvolvimento tecnológico.
“Nós temos que fortalecer tudo o que diz respeito à ciência. Eu defendo a tese de que nós não devemos ter uma postura anticientífica por conta de doutrinarismo, de concepções atrasadas que estão se apresentando no campo da política. Às vezes vinculado ao fundamentalismo religioso. Nós devemos defender a ciência, mas uma ciência vinculada aos interesses do povo trabalhador.”
Segurança pública e combate à violência contra as mulheres
Na segurança pública, Túlio Lopes destacou o combate à violência contra as mulheres e ao crime organizado. Entre as propostas apresentadas estão o fortalecimento das delegacias regionais, a valorização dos profissionais da segurança e ações de educação para enfrentar a violência de gênero.
O candidato também defendeu a assinatura do Pacto Nacional contra o Feminicídio e classificou o enfrentamento à violência contra as mulheres como uma prioridade. Em relação ao crime organizado, Túlio afirmou que o problema exige articulação entre diferentes níveis de governo e destacou a importância de inteligência, tecnologia, informação e investigação.
Ele também defendeu ações de prevenção e criticou a política de encarceramento em massa como resposta à criminalidade.
“A prevenção é fundamental. Porque não basta comprar mais viaturas ou modernizar o equipamento da polícia. É um debate mais estrutural. Então, nós temos que avançar também um novo modelo de segurança pública em nosso estado e em nosso país, que não funciona no atual.”
Desenvolvimento regional e desigualdades
A diversidade e as desigualdades entre as diferentes regiões de Minas Gerais também foram abordadas durante a entrevista. Túlio afirmou que o desenvolvimento do estado deve considerar as características econômicas e sociais de cada região.
O candidato defendeu investimentos em transporte, educação, ciência e tecnologia e diversificação econômica. Também citou a necessidade de fortalecer polos industriais e tecnológicos e ampliar a integração entre diferentes regiões.
Entre os exemplos mencionados estão o polo tecnológico de Santa Rita do Sapucaí, a atividade industrial em Pirapora e a necessidade de pensar o transporte de cargas e passageiros, incluindo ferrovias.
Para Túlio, o planejamento econômico deve considerar também a produção agrícola, a questão agrária e a exploração mineral.
“Nós temos que pensar estrategicamente Minas Gerais. De acordo com as suas particularidades. Das questões regionais. E buscar essa integração. O transporte é uma política de integração importante. A educação. A pesquisa no campo da ciência e tecnologia.”
Ele também destacou a importância das feiras populares e das economias locais e mencionou a insegurança alimentar como um dos problemas enfrentados pelo estado.
Cultura e economia popular
A cultura também apareceu entre os temas relacionados ao desenvolvimento regional. Túlio defendeu o fortalecimento das manifestações culturais produzidas nas diferentes regiões de Minas Gerais e citou festivais, produção musical e outras iniciativas locais.
O candidato relacionou a diversidade cultural mineira à própria formação do estado e defendeu políticas que considerem as particularidades das diferentes comunidades.
Além disso, falou sobre a importância das feiras populares e de atividades econômicas desenvolvidas localmente. Segundo ele, essas iniciativas fazem parte da economia popular e precisam ser valorizadas pelo poder público.
Comunicação e valorização dos veículos regionais
A entrevista também abordou o papel da comunicação no estado. Túlio Lopes defendeu a democratização dos meios de comunicação e o acesso à internet e afirmou que rádios, televisões, plataformas digitais e veículos independentes têm importância na produção e circulação de informações regionais.
O candidato destacou que o poder público pode contribuir para o fortalecimento desses veículos por meio de financiamento e apoio à produção jornalística.
“O rádio, a televisão, as plataformas digitais são fundamentais. O governo do estado tem que apoiar.”
Túlio também destacou a importância dos veículos regionais para a cobertura de temas locais, como cultura, esporte e história, e defendeu uma maior integração entre produção acadêmica e comunicação.
“Nós temos que integrar a pesquisa com a comunicação. Penso que é algo estratégico também, Minas Gerais tem um potencial muito grande.”
Minas em Pauta | Especial Eleições 2026
O Minas em Pauta | Eleições 2026 é uma iniciativa da AMIRT que reúne entrevistas com candidatos para apresentar propostas e posicionamentos sobre temas relacionados ao estado e ao país. A participação de Túlio Lopes (PCB) ocorre após o candidato procurar a AMIRT para ceder uma entrevista. A associação está aberta a esse tipo de proposta, mediante alinhamento prévio de agenda e disponibilidade da produção.
Confira a entrevista completa em videocast:
Confira a entrevista completa em áudio:
As emissoras associadas à AMIRT podem reproduzir os conteúdos em suas rádios, TVs, portais e redes sociais, dando os créditos.





