Diálogos ABERT: Integridade e confiança: ativos indispensáveis para o futuro da comunicação

Imagem: LinkedIn/Reprodução

Vivemos um tempo em que a confiança se tornou um dos ativos mais valiosos (e mais desafiadores) para organizações públicas, privadas e para a própria sociedade. Em um cenário marcado pela velocidade da informação, pela hiperconectividade e pela crescente demanda por transparência, a integridade deixa de ser apenas um diferencial institucional e passa a ser uma condição necessária para a legitimidade.  

Quando falamos em integridade, não estamos nos referindo apenas ao cumprimento de leis ou normas. Trata-se da capacidade de alinhar discurso e prática, decisões e valores, compromissos e resultados. É a construção de uma cultura organizacional feita com base na ética, na transparência, na prestação de contas e na responsabilidade perante todos os públicos com os quais uma instituição se relaciona.

Essa reflexão é particularmente relevante para o setor da comunicação e da radiodifusão. Em um ambiente cada vez mais complexo, rádios e emissoras de televisão desempenham um papel essencial na promoção do acesso à informação de qualidade, no fortalecimento do debate público e na valorização dos princípios democráticos. São instituições que ajudam a construir referências de confiança para milhões de brasileiros.

A credibilidade de uma organização não se estabelece apenas pelo conteúdo que ela produz, mas também pela forma como conduz suas relações, toma decisões e responde às expectativas da sociedade. Por isso, fortalecer mecanismos de governança, transparência e integridade é um investimento estratégico que contribui não apenas para a sustentabilidade das organizações, mas para a qualidade do ambiente informacional e democrático.

Ao mesmo tempo, a integridade não pode ser entendida como uma responsabilidade isolada. Ela depende do engajamento de lideranças, profissionais, parceiros e diferentes setores da sociedade. É uma construção coletiva e permanente, capaz de fortalecer relações de confiança e ampliar a capacidade das instituições de gerar valor público.

Em tempos de transformações aceleradas, a confiança continuará sendo o elo entre as organizações e a sociedade. E a integridade seguirá sendo o caminho mais sólido para construí-la, preservá-la e renová-la.

Caio Magri – sociólogo pela USP, atua no Instituto Ethos desde 2004, onde é diretor-presidente desde 2017. Integra diversos conselhos consultivos e governamentais ligados à transparência, desenvolvimento sustentável, infraestrutura e governança. 

*Fonte: ABERT