Minas em Pauta | Eleições 2026: conheça as principais propostas de Áurea Carolina, candidata ao Senado pelo PSOL

Da esquerda para a direita: candidata ao Senado por Minas, Áurea Carolina (PSOL), e apresentadora Lívian Alves. Foto: Suelen Rodrigues/AMIRT

Entrevista em vídeo e áudio no fim da página.

O último episódio do programa Minas em Pauta | Especial Eleições 2026 recebeu Áurea Carolina, candidata ao Senado por Minas Gerais pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Durante a entrevista, a candidata falou sobre sua experiência como vereadora de Belo Horizonte e deputada federal e apresentou propostas para áreas como saúde, educação, segurança pública, mineração, direitos das mulheres e relações de trabalho.

Áurea também comentou a dívida de Minas Gerais com a União, a política tributária do estado, o funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a relação com um eventual governo federal e o papel das emissoras de rádio e televisão na informação da população.

Experiência política e prioridades no Senado
Ao falar sobre a experiência acumulada nos mandatos como vereadora de Belo Horizonte e deputada federal, Áurea Carolina destacou a atuação em pautas relacionadas aos direitos das mulheres, moradia, juventude negra, cultura e meio ambiente. Segundo a candidata, caso seja eleita, pretende levar essa experiência para o Senado e priorizar pautas relacionadas às condições de vida da população. Entre os temas citados estão o fim da escala 6×1 e o enfrentamento à violência contra as mulheres.

“Um Senado do lado do povo é aquele que coloca, em primeiro lugar, as urgências para melhorar as condições de vida da maioria da nossa população.”

Violência contra as mulheres
A candidata afirmou que o enfrentamento à violência contra as mulheres seria uma das prioridades de seu mandato. Entre as medidas defendidas estão o aumento de recursos para políticas de proteção e acolhimento, a responsabilização dos agressores e ações de educação voltadas à prevenção da violência e à igualdade.

Áurea também avaliou que o poder público precisa adotar uma atuação mais efetiva no tema e citou a adesão de Minas Gerais ao Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio. Segundo ela, a redução dos investimentos em políticas para as mulheres ao longo dos últimos anos contribuiu para o aumento da vulnerabilidade desse grupo.

“Então, ter mais investimentos, ter uma bancada de mulheres de luta no Congresso Nacional, que defendem os direitos das mulheres, é imprescindível para que a gente mude essa realidade. E, por isso, eleger mais mulheres e mulheres comprometidas com a democracia é tão urgente.”

Segurança pública e combate ao crime organizado
Na segurança pública, Áurea Carolina defendeu uma política que, além da valorização dos profissionais, invista em inteligência e investigação. A também defendeu maior integração entre as forças de segurança.

“É fundamental ter um investimento em inteligência, uma segurança pública que vá na raiz do crime organizado, que sufoque as transações financeiras, lavagem de dinheiro, ao invés de ficar atacando só na ponta, com repressão, encarceramento, essa guerra cotidiana que não está dando resultado.”

Áurea também defendeu uma maior coordenação nacional das políticas de segurança pública e mencionou a proposta de criação de um sistema nacional para a área.

Dívida de Minas com a União
A dívida de Minas Gerais com a União também foi tema da entrevista. Questionada sobre a defesa de uma auditoria, Áurea afirmou que considera necessário investigar a composição da dívida e avaliar o que deve ser efetivamente pago pelo estado.

A candidata também criticou a política de benefícios e isenções fiscais e defendeu uma revisão dos critérios utilizados para a concessão desses incentivos. Segundo ela, a política tributária deveria dar maior atenção aos pequenos negócios e empreendedores, que, na sua avaliação, enfrentam mais dificuldades para manter suas atividades.

“Se o Estado deixa de arrecadar, automaticamente ele tem menos recurso para aplicar em políticas públicas de saúde, de segurança, de educação, de bem-estar para a sociedade de Minas Gerais. E eu entendo que isso é uma irresponsabilidade, é algo que não pode acontecer conforme a vontade política.”

Áurea Carolina defendeu ainda que os impostos pagos sejam proporcionais à renda.

“E fazendo essa integração com o governo federal, em sintonia com o presidente Lula, que compreende também a importância de ter uma justiça tributária, que os ricos paguem mais, proporcionalmente pelo tamanho da sua riqueza, e os pobres tenham suporte, tenham auxílios para poderem viver com prosperidade.”

Mineração e minerais estratégicos
A exploração de minerais estratégicos foi outro assunto abordado. Áurea destacou a importância das reservas de minerais críticos para a transição energética e defendeu que a exploração esteja associada ao desenvolvimento de uma indústria nacional e à produção de tecnologia. Para a candidata, o processo também deve considerar os impactos ambientais e os direitos das comunidades atingidas pela mineração.

Ela citou os rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho como exemplos dos impactos associados à atividade e defendeu maior fiscalização e estruturação dos órgãos responsáveis.

“Então, é possível sim aproveitar essa oportunidade da melhor forma, e isso servir também para dinamizar todo o trabalho de ciência e tecnologia. Isso inclui as universidades, os institutos federais, formando mão de obra qualificada, especializada, dos próprios lugares onde vão acontecer essas atividades de exploração da mineração de minerais críticos.”

Educação e universidades
Na educação, a candidata destacou a rede de universidades e institutos federais de Minas Gerais e afirmou que essas instituições enfrentam dificuldades relacionadas a investimentos, estrutura e equipes. Áurea também questionou o modelo de distribuição de recursos por meio de emendas parlamentares e defendeu que o orçamento destinado à educação seja planejado de forma estratégica.

Na educação básica, ela falou sobre a valorização dos profissionais e defendeu o cumprimento do piso salarial dos professores. Outro ponto apresentado foi a ampliação da educação em tempo integral. Segundo a candidata, a medida pode contribuir para ampliar as oportunidades de jovens, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade.

“E eu vejo isso como uma oportunidade também de trazer para dentro da escola, não só uma educação de excelência sobre o conteúdo ou o currículo fundamental das várias áreas do conhecimento, mas trazendo também arte, cultura, esportes, cidadania como parte indissociável dessa comunidade escolar, que é voltada para a formação de pessoas críticas, pensantes, pessoas que vão fazer a diferença positiva para as suas comunidades.”

Fim da escala 6×1
O fim da escala 6×1 foi apresentado como uma das pautas prioritárias da candidatura. Áurea defendeu a redução da jornada de trabalho e afirmou que a mudança precisa ser acompanhada de mecanismos de proteção para pequenos comerciantes e empregadores.

“O fim da escala 6×1, assim como o fim da escravidão no século XIX, assim como a conquista da CLT no início do século XX, ou da licença-maternidade, das férias, do FGTS, tudo isso são proteções trabalhistas que são sinais de avanço da sociedade. Todo mundo sai ganhando. Não dá para a gente viver em um regime em que poucos poderosos e endinheirados vivem massacrando, pisando a cabeça do povo trabalhador, que é a grande maioria.”

Ela também comentou sobre as mudanças nas relações de trabalho e o crescimento da informalidade, especialmente entre trabalhadores de plataformas digitais. Segundo a candidata, trabalhadores de aplicativos podem ter flexibilidade para organizar os horários, mas também enfrentam jornadas extensas e falta de proteção social.

“Por isso, a gente precisa de um novo regime previdenciário para lidar com essa realidade de mudança acelerada do mundo do trabalho e de aumento da informalidade. Então, o Estado brasileiro tem que proteger.”

Áurea também citou a proposta de aposentadoria universal apresentada pela deputada Duda Salabert como uma possibilidade de debate sobre proteção social diante das mudanças no mercado de trabalho.

STF e equilíbrio entre os Poderes
A atuação do Supremo Tribunal Federal também foi discutida durante a entrevista. Áurea defendeu mudanças na forma de funcionamento da Corte e afirmou que o Senado deve exercer sua competência de analisar eventuais pedidos de impeachment de ministros quando houver suspeitas de irregularidades, seguindo investigação e devido processo legal. Ela também declarou que apoia mudanças na composição do STF e afirmou que considera necessário ampliar a diversidade entre os integrantes da Corte

“O judiciário brasileiro precisa passar por reformas. Eu acho que a Constituição deve prever um código de ética para os ministros do STF. Esse é um debate que tem que ser feito no Congresso Nacional, porque hoje os ministros passam por uma autorregulação, uma autocensura, e a gente está vendo que isso não está resolvendo.”

A candidata também mencionou a possibilidade de discutir a duração dos mandatos dos ministros e quais são as limitações para que um ministro deixe de atuar, afirmando que ainda não tem uma posição definida sobre os temas.

Saúde e fortalecimento do SUS
Na área da saúde, Áurea defendeu o financiamento permanente da atenção básica e da saúde mental, principalmente nos municípios do interior. A candidata afirmou que o fortalecimento da atenção básica é importante para o acompanhamento das famílias e relacionou a saúde mental a questões como ansiedade, depressão, violência e dificuldades econômicas.

Ela também voltou a criticar o modelo de distribuição de emendas parlamentares e defendeu que os recursos sejam direcionados para estruturas do Sistema Único de Saúde (SUS), como equipes e serviços de atenção básica.

“Eu gosto de dar o exemplo de que os parlamentares preferem mandar uma ambulância para o município do que fazer um investimento em atenção básica, em saúde mental, em fortalecimento da carreira das enfermeiras, dos agentes comunitários de saúde, em estruturar o SUS municipal.”

Relação com o governo federal
Áurea Carolina afirmou que pretende atuar como base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso ele permaneça no governo a partir de 2027. Ao mesmo tempo, afirmou que manteria independência para fazer críticas e defender mudanças em propostas com as quais eventualmente não concordasse.

“E, claro, com debate crítico sempre, não existe uma adesão absoluta. Se houver algum projeto que eu entenda que merece mais discussão, que, na verdade, vai por uma direção da qual eu discordo, tudo isso vai ser colocado publicamente, porque nós vivemos num regime democrático.”

Questionada sobre a possibilidade de um governo federal de outra orientação política, a candidata afirmou que faria oposição, citando sua atuação como deputada federal durante o governo de Jair Bolsonaro como referência.

Minas em Pauta | Especial Eleições 2026
O episódio com Áurea Carolina é parte do especial Minas em Pauta | Eleições 2026, que entrevista candidatos ao Governo de Minas e ao Senado que aparecem entre os nomes com maior intenção de voto nas pesquisas eleitorais, apresentando suas propostas e posicionamentos sobre temas de interesse do Estado. Os outros candidatos que são líderes nas pesquisas de intenções de voto (Marcelo Aro e Aécio Neves) também foram convidados para a entrevista, mas não houve retorno concreto até a publicação desta matéria.

Confira a entrevista completa em videocast:

Confira a entrevista completa em áudio:

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