Foto: Marcos Mesquita
As transformações tecnológicas da indústria estiveram no centro do painel “A TV em tempos de transformação tecnológica”, realizado durante o primeiro dia da 9ª edição do +TV Fórum 2026, evento que se realiza nos dias 12 e 13 de agosto, em São Paulo. O debate reuniu Fabio Alencar, VP de mídia Latam da SES; Daniel Monteiro, gerente Sr. de Desenvolvimento Globoplay e DTV+ da Globo; Renato Svirsky, diretor da Mileto; e Vinicius Benjamin, head de novos negócios e parcerias estratégicas da TIM, para discutir os impactos da TV 3.0, da evolução das plataformas de TV por assinatura, da distribuição via satélite e das TVs conectadas sobre os modelos de negócio e as estratégias de monetização do setor.
Daniel Monteiro avaliou o início da operação comercial da DTV+ no Brasil em junho passado e destacou a Copa do Mundo como um marco para a definição do produto e da experiência de consumo. Segundo ele, entre os aprendizados do período está a necessidade de garantir acesso recorrente às funcionalidades da nova plataforma.
“No início do ano redesenhamos toda a experiência da TV 3.0 e queríamos que as TVs antigas pudessem ter o produto digital”, afirmou.
De acordo com Monteiro, a estratégia inclui o conceito de “all in on” (apostar tudo em), colocando à disposição do consumidor um conjunto de interatividades disponíveis ao longo da programação e outras acionadas de forma contextual, de acordo com determinados momentos do conteúdo, por exemplo, na Copa, estatísticas, câmeras especiais, dados, votações no craque do jogo, entre outras.
“Na TV 3.0, já acompanhamos métricas de engajamento, de interatividade, sendo um produto em experimentação. Agora estamos expandindo as interações para saber onde o brasileiro se engaja mais ou menos”, explicou.
O executivo afirmou ainda que a grade atual mantém o produto disponível de forma contínua, apoiado por um ambiente de orquestração denominado ‘Orquestra’, que permite evoluir os níveis de interatividade.
As aplicações incluem recursos informativos e funcionalidades diretamente associadas ao conteúdo. Em transmissões esportivas, por exemplo, são disponibilizadas diferentes opções de áudio e recursos que permitem ao usuário ativar interações diretamente durante o programa. Monteiro acrescentou que parte dessas funcionalidades também está presente no ambiente da TV 2.5, com o objetivo de unificar a experiência do usuário nos diferentes ambientes da Globo. Segundo ele, algumas interações disponíveis no Globoplay são compatíveis com a DTV+.
Entretanto, a distribuição via satélite também foi abordada no painel. Fabio Alencar, da SES, destacou a dimensão da TVRO no mercado brasileiro e afirmou que o segmento alcançou 18 milhões, correspondentes a quase 25% das residências brasileiras. Segundo o executivo, o mercado de satélites trabalha para manter a capacidade da frota e ampliar sua vida útil. Na perspectiva da conectividade, Alencar ressaltou que parte do público atendido pelo satélite não dispõe de acesso à banda larga e defendeu a ampliação das plataformas para agregar novos serviços.
“Temos de pensar que hoje a TVRO se financia com o pagamento dos canais que pagam para enviar o sinal, por isso, penso que devemos encontrar uma forma que permita monetizar o serviço”, afirmou.
Para Alencar, uma possibilidade está na integração de diferentes formas de distribuição em uma mesma plataforma.
“Defendo o modelo em que exista uma plataforma que agregue e que permita integrar linear, streaming, FAST. O TVRO é um público grande, existe um mercado com 60 milhões de pessoas que ainda não foi explorado, apenas cobramos pelo serviço de satélite”.
O executivo também apontou desafios técnicos relacionados à evolução da TV 3.0 por satélite, incluindo a necessidade de soluções para o canal de retorno e de receptores com maior capacidade de memória. Entre as possibilidades mencionadas está o desenvolvimento de uma arquitetura baseada em IP para distribuição via satélite, acompanhando a evolução tecnológica da radiodifusão.
Inovação nos modelos de TV
O painel “Inovação nos modelos de TV: quando tudo muda, mas parece igual” discutiu, em outro momento do dia, o impacto da TV 3.0 na evolução da televisão aberta e conectada, com destaque para interatividade, publicidade e novas formas de distribuição. Fernando Magalhães, diretor de conteúdo da Claro, destacou a evolução do Claro TV 3.0 e afirmou que a plataforma já permite interações com o usuário. Aline Jabbour, diretora sênior da Samsung TV Plus Latam, avaliou que a TV 3.0 aproxima os modelos de entrega de publicidade entre a TV aberta e as plataformas conectadas. Segundo ela, “em termos de acesso a conteúdo, a briga não está na tecnologia, está no conteúdo relevante, de forma simples de ser entregue, e de navegação”.
Ranira Camelo, gerente sênior de parcerias estratégicas da Globo, destacou a interatividade e a publicidade direcionada como elementos da evolução da TV 3.0. Para a executiva, “a proeminência é fundamental para o futuro da TV 3.0, a própria interatividade com o consumidor final. A TV aberta sempre foi uma via de mão única”. Ranira também afirmou que mais de 70% do consumo do Globoplay corresponde a canais lineares e que, em 2025, a plataforma registrou média diária de 2h30 de uso. Segundo ela, a Globo também ampliou a oferta de canais lineares com o lançamento do GE Fast. Finalmente, Adriana Naves, diretora de parcerias da Roku, disse que a plataforma está preparada para disponibilizar a chegada da DTV+ e que a engenharia
*Fonte: SET





