Da esquerda para a direita: candidato ao Senado por Minas, Carlos Viana (PSD), e apresentadora Hannah Andrade.
Entrevista em vídeo e áudio no fim da página.
O Minas em Pauta | Especial Eleições 2026 recebeu Carlos Viana, candidato à reeleição ao Senado por Minas Gerais pelo PSD. Durante a entrevista, ele fez um balanço do primeiro mandato e falou sobre propostas para a dívida de Minas Gerais, infraestrutura, mineração, transparência nas emendas parlamentares, atuação na CPMI do INSS, relação entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, mudanças no sistema partidário e propostas para a legislação de comunicação.
Dívida de Minas e infraestrutura
Ao falar sobre as prioridades para um eventual segundo mandato, Carlos Viana apontou a dívida de Minas Gerais com a União como uma das principais questões a serem enfrentadas. Segundo o candidato, recursos relacionados ao pagamento dos juros poderiam ser direcionados para obras de infraestrutura.
Entre as propostas citadas estão a duplicação da BR-262, obras de asfaltamento de rodovias para facilitar o escoamento da produção e a conclusão da duplicação da BR-381 entre Belo Horizonte e Caeté.
“Eu entendo que essa é, para Minas Gerais, a principal determinação.”
Viana também defendeu a ampliação do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A proposta inclui a extensão da Linha 2 até Betim e a elaboração de um projeto para levar o sistema até Ribeirão das Neves.
“Precisamos pensar também em levar o metrô até Ribeirão das Neves. É uma cidade de 300 mil habitantes que sofre demais para poder chegar a Belo Horizonte, para se deslocar para Contagem. Olha, é duas horas, duas horas e meia dentro de um ônibus. Isso é um absurdo que o pessoal leva para chegar na capital. Então, eu entendo que é prioridade a gente começar um projeto de ampliação do metrô e buscar soluções de financiamento para que ele se torne realidade.”
CPMI do INSS e atuação no Senado
Viana também falou sobre sua atuação como presidente da CPMI do INSS, que investigou fraudes envolvendo descontos em benefícios de aposentados e pensionistas. A comissão encerrou os trabalhos em março de 2026 sem a aprovação de um relatório final.
Na entrevista, Viana afirmou que, apesar da ausência de um relatório aprovado, a comissão teria cumprido o papel de levar informações à população e contribuir para a recuperação de recursos.
“O primeiro ponto que a CPMI cumpriu com a missão dela: nós deixamos os brasileiros sabendo o que aconteceu. Porque a informação é um direito das pessoas. Então nós fizemos tudo com muita transparência.”
O candidato afirmou ainda que a comissão teria contribuído para a recuperação de R$ 3,5 bilhões e declarou que pretende dar continuidade às investigações.
No contexto das investigações, Viana também apresentou, em 1º de setembro, o Requerimento nº 644/2026, que propunha voto de louvor ao ministro do STF André Mendonça pela atuação nas investigações relacionadas às fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS e ao Caso Banco Master.
Reequilíbrio entre os Poderes e impeachment de Alexandre de Moraes
A relação entre Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) foi outro dos principais temas da entrevista. Viana defendeu mudanças institucionais, como o estabelecimento de mandato para ministros do STF, o fim das decisões monocráticas e alterações no processo de escolha dos integrantes da Corte.
O senador já havia associado essa discussão à própria experiência à frente da CPMI do INSS. Em abril, afirmou no Senado que decisões monocráticas haviam impedido o andamento dos trabalhos da comissão e defendeu o “reequilíbrio entre os Poderes”.
“Primeiro, nós temos que colocar mandato para os ministros. Doze anos e os ministros têm que sair. Segundo, acabar com decisão monocrática. O que é isso? Um ministro supremo dá uma decisão para 81 senadores e 513 deputados.”
Em setembro, o senador também protocolou um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o Senado, Viana fundamentou o pedido em uma suspeita de advocacia administrativa relacionada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e afirmou que as alegações dependeriam de apuração.
Na entrevista, o candidato defendeu que decisões judiciais, por si só, não deveriam fundamentar um processo de impeachment, mas afirmou que condutas que caracterizassem crime de responsabilidade deveriam ser investigadas.
“Eu falava: olha, não tem como fazer impeachment pelas decisões dos ministros. Agora, pelo crime, pela conduta incorreta, tem.”
Viana também afirmou que, caso seja reeleito, pretende disputar a presidência do Senado.
“Por isso eu tenho falado para as pessoas: eu quero ser presidente do Senado. Se eu for reeleito, eu vou me candidatar à presidência.”
Mudança de partidos
Ao ser questionado sobre sua trajetória partidária, Viana reconheceu as sucessivas mudanças de legenda e afirmou que pretende permanecer no PSD.
“Essa questão de mudança de partido, isso é um erro. Eu espero não cometer mais. O problema é que partido não muda. É tudo igual, tá certo? A legislação sobre partido no Brasil é fraquíssima.”
O candidato também definiu como centro-direita seu posicionamento político e citou como princípios a defesa da família, de um Estado menor e de uma economia liberal.
“O PSD, pelo menos, me dá a liberdade de ser o que eu sou. Eu tenho colegas que são ministros do governo, do atual governo do PT. Eu não voto no PT, mas eles estão lá como ministro. Então, eu sou respeitado nisso. A minha ideia é ficar quieto no PSD.”
Comunicação, redes sociais e radiodifusão
O senador é autor do PL 3194/2020, que propõe permitir que apresentadores ou comentaristas de rádio e televisão permaneçam nos programas até o registro da candidatura, em vez da regra que determina o afastamento anterior.
Na entrevista, ele afirmou que a mudança deveria garantir mais tempo para que profissionais da comunicação que decidam disputar eleições possam permanecer no exercício da atividade até o registro da candidatura.
“A minha visão é a seguinte: decidiu em julho, agosto, então ele sai depois da candidatura, isso dá pelo menos 30 dias para quem é candidato em toda essa história.”
Viana também defendeu a identificação dos responsáveis por perfis em redes sociais, com CPF ou CNPJ, como forma de facilitar a responsabilização por conteúdos ilícitos.
“Então eu sou a favor do seguinte: vai ter um perfil, tem que estar lá o CPF ou o CNPJ do responsável, porque assim, se você acionar na Justiça, essa pessoa tem que responder.”
A proposta está relacionada a outro projeto apresentado pelo senador, o PL 2431/2024, que prevê regras para a responsabilidade de provedores de redes sociais por anúncios falsos e estabelece o cadastro de contas com CPF ou CNPJ válido.
Ao falar especificamente sobre a radiodifusão, Viana defendeu o papel dos veículos na oferta de informações para que o público forme sua própria consciência.
“A radiodifusão tem que fazer o papel dela de informar e as pessoas têm que formar a sua consciência, você tem que dar a sua notícia. A AMIRT faz isso muito bem, sabe, de nos dar oportunidade dos dois lados de poder cada um colocar a sua opinião.”
Mineração e compensação para Minas
Na área de mineração, Carlos Viana defendeu mudanças na cobrança da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Segundo ele, a alíquota deveria considerar a qualidade do minério explorado.
“Nós precisamos, primeiramente, aumentar a contribuição financeira da exploração mineral, que é a CFEM. Hoje é 3,5%. Se o minério é pobre, como o Itabirito, ou se o minério é rico, como no Pará, 70%, paga-se a mesma coisa. A empresa ganha muito mais. Então a gente tem que mudar, ter um projeto meu nesse aspecto, que eleva a CFEM de 3,5% a 7%, dependendo da riqueza do minério.”
Viana também mencionou a necessidade de buscar soluções para os impactos ambientais e de saúde relacionados aos resíduos da mineração.
Emendas parlamentares e transparência
Ao abordar a destinação de emendas parlamentares, Viana afirmou que os recursos devem ser acompanhados de mecanismos de transparência. O candidato citou investimentos que, segundo ele, foram destinados a municípios mineiros nas áreas de saúde, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
“Essas emendas, o que precisa é ter transparência. E isso eu concordo plenamente. Você tem que saber onde foi parar o dinheiro público. […] A questão é onde você aplica.”
O candidato também defendeu que os recursos destinados por meio das emendas sejam direcionados de acordo com as necessidades de cada município.
Minas em Pauta | Especial Eleições 2026
O episódio com Carlos Viana é parte do especial Minas em Pauta | Eleições 2026, que entrevista candidatos ao Governo de Minas e ao Senado que aparecem entre os nomes com maior intenção de voto nas pesquisas eleitorais, apresentando suas propostas e posicionamentos sobre temas de interesse do Estado.
Confira a entrevista completa em videocast:
Confira a entrevista completa em áudio:
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